As origens do Método Científico: A ciência no periodo Clássico

Postado em 19/jan/2019 - Sem Comentários

 

Os primeiros pensadores a buscarem uma explicação natural para os diversos fenômenos da natureza ao invés de se apoiarem nas explicações de cunho religiosos ou divinas  forma os filósofos da Grécia antiga como Thales de Mileto (624 a.C. a 546 a.C.), Pitágoras ( 570 a.C. 495 a.C.) e Demócrito (460 a.C. a 370 a.C.). Mas o primeiro a realmente pensar neste tipo de conhecimento que procura se afastar dos motivos religiosos, ou em como se obter o verdadeiro conhecimento sobre um determinado fenômeno foram, na verdade Platão (428/427 a.C. a 348/347 a.C.) e Aristóteles (‎322 a.C.‎ a ‎384 a.C.) há mais de 2300 anos.

Para Platão, discípulo de um outro filosofo grego chamado Sócrates, o mundo exterior, bem como tudo o que existia nele eram  apenas reflexos imperfeitos ou sombras de formas ideais, ou seja, o mundo era a cópia do mundo das ideias[1]. Essas formas ideais são frequentemente retratadas como lançando sombras em uma parede, por isto, pode se dizer que  Platão era um realista filosófico.

O mundo das formas, segundo ele, existia independentemente do pensamento humano. Essas formas não eram apenas conceitos abstratos em nossa mente, eles realmente existiam, mas separadamente do mundo físico, por isto não poderíamos apreender a verdadeira natureza da realidade através da experiência sensorial, pois tal conhecimento sobre as formas ideais só poderiam ser obtidas através do raciocínio. Ele acreditava, diferentemente dos sofistas, para os quais não existia a verdade absoluta e sim a verdade relativa, que algumas coisas poderiam até sofrer mudança, inclusive deixar de existir, mas que a ideia sobre ela nunca mudaria, ou seja, o que mudava era forma, não a ideia. As ideias sobre algo permaneciam sempre as mesmas.

Por exemplo, um “carro”. A ideia sobre carro é sempre  a mesma, mas o que muda é a forma, que, segundo ele é imperfeita e perene, e que pode ser mudada porque está no mundo físico, mas a ideia, ou porque não dizer: o conceito, será sempre o mesmo. Platão é, portanto, referido como um realista.

Aristóteles, seu discípulo, também era um realista. Para ele, embora essa realidade existisse independente do pensamento humano ela era o próprio mundo físico. Não há plano separado de existência onde formas abstratas vivem. Aristóteles também discordou de seu mestre sobre como podemos obter conhecimento sobre a verdade e a natureza das coisas. Por isto, diz se que era um empirista, ou seja, alguém que acreditava que podemos ter uma experiencia sensorial precisa da realidade.

Este é um debate que iria se estender durante muito tempo, pois segundo Aristóteles, a realidade é perceptível através dos nossos sentidos e a observação seria o meio pelo qual poderíamos chegar ao conhecimento. Para tanto, o raciocínio deveria ser o instrumento pelo qual se poderia entender  e explicar natureza e, por isto, para alguns, ao pensar assim, estaria ele desenvolvendo a gênese da lógica perfeita, baseada no silogismo.

O silogismo criado por Aristóteles consiste em um termo filosófico para designação de conclusões deduzidas de premissas e que levam ao conhecimento cumulativo a partir de conclusão obtida. Por exemplo: Todos os humanos são mortais, todos os gregos são humanos, logo, todos os gregos são mortais. Ora, se as duas premissas são verdadeiras então a conclusão é necessariamente verdade e nos concede a base para formularmos um novo silogismo: todos os gregos são mortais, logo, todos os gregos são humanos.

Uma outra diferença entre Aristóteles e Platão é que aquele acreditava que  as premissas fundamentais podem ser apuradas pela observação direta e verificação dos padrões ou regularidades de fenômenos no mundo. Infelizmente, ele não sabia que algumas de suas próprias observações eram seletivas demais, levando a premissas fundamentais que sabemos agora são simplesmente errados.

Mas Aristóteles também estava limitado ao seu tempo e cometeu erros em suas próprias premissas e portanto, em alguns silogismos que criou, pois quando se parte de uma premissa falsa, a sua conclusão também estará fada ao fracasso. Por exemplo, baseado em sua própria observação, asseverou erroneamente que os homens têm mais dentes que as mulheres e que os insetos têm quatro patas.  Aristóteles nos dá um exemplo extremante importante para a construção do saber científico ao nos mostrar que a observação dos fenômenos e acontecimentos devem ser precisos, metódicos e procurar ser os mais meticulosos possíveis, por do contrário, todo o restante redundará em erro, por se basear em premissas falsas. Com certeza, não observou todos os insetos, e nem verificou a boca de todos os homens e mulheres, suas observações eram imprecisas o levou à conclusões igualmente errôneas.

Contudo, as contribuições de Platão e Aristóteles forma enormes para o desenvolvimento da ciência e suas influências foram sentidas por quase 2000 anos. Só no fim do século XVI é que, graças a novas formas de análise do mundo e dos fenômenos naturais é que os pesquisadores se deram conta de que tanto Platão, quanto Aristóteles falharam em alguns pontos, mas as contribuições dos estudiosos gregos ainda foram muito importantes para o desenvolvimento da ciência. Ptolomeu (100 d.C. a 160 d.C.), foi um cientista grego que apoiou-se nas   ideias de Aristóteles para criar um  sistema geométrico-numérico, de acordo com as tabelas de observações babilônicas, para assim descrever os movimentos do céu colocando a terra no centro do universo com os planetas, em orbita circular em sua volta, incluindo o sol. Este modelo ptolomaico, de órbita circular, era o que melhor explicava o afastamento dos astros nos céus e permitiu uma maior precisão nas previsões de tempos e estações.

Na virada no século X, o físico e matemático árabe Ibn al-Hasan, conhecido também pela forma latinizada Alhazen, (965 a.C. a 1040 a.C.) se tornou o  pioneiro da óptica, ao seguir os passos de Ptolomeu e explicar  o fenômeno dos corpos celestes no horizonte[2]. Ele escreveu a obra  O Livro de  Óptica (em árabe: Kitāb al-Manāẓir (كتاب المناظر)), publicado no início do século XI, propôs uma nova teoria sobre a visão revolucionária para a época, que foi um passo importante para a compreensão do processo visual que embora seja diferente hoje em dia, influenciou a Johannes Kepler (1571-1630) o qual propusera uma nova teoria da visão que, em tese, ainda é usada hoje em dia.

Ibn al-Hasan contribui para o método científico também ao propor que  uma hipótese devia ser testada por experimentos, seguindo procedimentos sistemáticos e que poderiam ser capazes de serem reproduzidos, e isto, mais de 1000 anos antes de Descartes, considerado por muitos como o preconizador do método científico moderno.

Ao lado de Ibn al-Hasan, outros árabes tais como Al Biruni, e Ibn Sina, começaram a usar sistemática observação e experimentação, enfatizando a observação imparcial e não apenas raciocínio lógico. Este grupo de pensadores árabes nos ajudam pensar em uma ciência fora de um ponto de vista eurocêntrico moderno que nos conduz ao erro de imaginarmos que a ciência se deu e se desenvolveu graças aos pensadores europeus e que portanto, eram homens inteligentes, metódicos e, portanto, científicos, relegando o resto do mundo ao obscurantismo. Na verdade, por se tratar de um saber cumulativo, a ciência se desenvolver com a contribuição de todos os homens nos mais diferentes lugares e circunstâncias e não em uma determinada parte deste ou daquele hemisfério.

O segundo ponto que desmistifica uma história eurocêntrica e moderna da ciência é se pensar que durante a Idade Média não se produziu saber cientifico, um erro, pois todos estes pensadores e filósofos viveram na Idade Média, cunhada erroneamente por alguns de Idade das Trevas que, quando na verdade foi um período de florescimento da ciência.

 

 

 

Referência bibliográfica:

Https://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/ideias-de-platao-as-coisas-mudam-mas-seus-modelos-sao-eternos.htm_acesado em 19 de janeiro de 2019.

MARTINS, Roberto de Andrade. A Óptica de Ibn al-Haytham – 1.000 anos de luz. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Consultado em 19 de janeiro de 2019.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

[1] Fonte: https://educacao.uol.com.br/disciplinas/filosofia/ideias-de-platao-as-coisas-mudam-mas-seus-modelos-sao-eternos.htm_acesado em 19 de janeiro de 2019.

[2] MARTINS, Roberto de Andrade. A Óptica de Ibn al-Haytham – 1.000 anos de luz. Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência. Consultado em 19 de janeiro de 2019.