{"id":318,"date":"2020-05-28T21:05:33","date_gmt":"2020-05-29T00:05:33","guid":{"rendered":"http:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/?page_id=318"},"modified":"2020-05-28T21:05:33","modified_gmt":"2020-05-29T00:05:33","slug":"nicteroy","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/nicteroy\/","title":{"rendered":"NICTEROY"},"content":{"rendered":"\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> METAMORPHOSE <br> DO RIO-DE-JANEIRO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"> <em>Ortografia original<\/em> (1822)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Nos bra\u00e7os maternaes, nascido apenas,<br> Jazia Nicteroy,(1) Saturnea pr\u00f3le,<br> Quando Mimas(2) seu P\u00e1e, Gigante en\u00f3rme,<br> Que ao Ceo com ma\u00f5 soberba arremess\u00e1ra<br> A flamigera Lemnos, arrancada<br> Dos mares no furor de guerra impia,<br> Tingio de sangue as aguas, salpicando<br> De seu cerebro o Ossa,(3) o Olimpo, e o Otrys,<br> Ferido pelo ferro, com que Marte<br> Vingou de J\u00f3ve a injuria em morte ac\u00e9rba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Lamentando-se Atlantida(4) apertava<br> Ao peito o filho, palida temendo <br> Trisulcos raios; qu\u2019inda ac\u00eazos via.<br> Ouvio seu pranto o Rey do argenteo Lago,<br> E o tenro infante compassivo ac\u00f3lhe.<br> No choque horr\u00edvel, que dos Phlegros(5) campos<br> O mundo sobre os p\u00f3llos abal\u00e1ra<br> Surg\u00eera\u00f5(6) novas terras, novos mares<br> Cobrira\u00f5 Reinos, Ilhas, Cabos, Brenhas.<br> Neptuno \u00e1ponta a Pl\u00e1ga rica e vasta<br> Do sepulcro do Sol erguida \u00e1 pouco,<br> Inda madida e nova, ind\u2019ignorada<br> Dos homens e do mundo; aqui se abriga<br> A estirpe illustre em Mimas profligada<br> Que o justo e paternal intento herd\u00e1ra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Cresceo co\u2019idade a for\u00e7a, a raiva, e o brio;<br> Da illustre gera\u00e7a\u00f5 fervendo o sangue<br> Nas veias da Titanea(7) oculta pr\u00f3le,<br> Ref\u00f3r\u00e7a o bra\u00e7o, que arduas f\u00e9ras d\u00f4ma, <br> Que troncos mil esc\u00e1cha, ab\u00e1te, e arranca,<br> Mudando o assento \u00e1s r\u00f3chas alterozas.<br> Cinge a frente ao robusto altivo J\u00f3ven<br> Cocar plumoso ornado de Amathystas;<br> Diamantino fulgor contrasta o brilho<br> De Esmeraldas, Rubins, Topazios loiros,<br> Que a rica Zona marchetando enfeita\u00f5.<br> Negra c\u00f4ma lhe-desce aos ventos s\u00f4lta<br> Repartida vestindo os largos hombros;<br> Nas faces brilha mocidade imberbe,<br> E a c\u00f4r, que as tinge, porque o Sol as cr\u00e9sta,<br> Semelha o c\u00f3bre lucido polido.<br> Nos olhos lem-se os vividos intentos,<br> Que de Mimas herd\u00e1ra, e occultos jazem<br> No grande cora\u00e7a\u00f5, qu\u2019 a injuria ab\u00e1fa.<br> O esbelto c\u00f3llo tres gorgeiras prendem<br> D\u2019oiro e prata, e manilhas d\u2019oiro e gemas<br> Os musculosos bra\u00e7os lhe guarnecem.<br> Ap\u00e9rta o ventre n\u00fb, reveste a cinta,<br> Fralda\u00f5 tecido de vistozas pennas;<br> Mosqueada pelle hum tiracollo f\u00f3rma,<br> De que pende em carcaz cavado dente<br> De monstro horrendo pelo mar gerado.<br> Nicteroy daqui tira hervadas s\u00e9ttas,<br> Em que as f\u00e9ras certeiro a morte envia,<br> Quando as Brenhas perlustra, e o Bosque, e o Prado.<br> Empunha a dextra ma\u00f5 robusto tronco<br> Dos ramos mal despido; he esta a clava,<br> Que ab\u00e1te os Tigres, os Dragoens, e as Serpes<br> Mais pronto do que em Lerna o f\u00e9ro Alcides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Grato \u00e1 Neptuno pressuroso ent\u00f3rna<br> Dos altos montes rios caudalosos;<br> Que pujantes ao mar tributos l\u00e9va\u00f5;<br> Tortuosa marcha Nicteroy lhes-s\u00falca<br> Por onde correm placidos os campos,<br> Depois que em negras firmes penedias<br> Trope\u00e7ando furiosos s\u2019indign\u00e1ra\u00f5,<br> De branca escuma as margens allagando.<br> Surgem co\u2019 as aguas, do thezoiro occulto<br> Nas entranhas da terra intata e nova,<br> Luzentes pedras e oiro, qu\u2019 abrilhanta\u00f5<br> As curvas, brancas, arenosas praias,<br> Em que o feudo Neptuno aceita e guarda.<br> J\u00e1 pr\u00e9tende vingar a infausta morte<br> Que inda Phlegra eterniza, e Marte ac\u00faza;<br> Nem perde a vista do Sydereo Throno,<br> Heran\u00e7a paternal, de qu\u2019 expellida<br> Fora por J\u00f3ve de Saturno a pr\u00f3le. <br> Justi\u00e7a e for\u00e7a os animos lhe acendem,<br> Cauteloso se apr\u00e9sta, e d\u00e1-se \u00e1 empreza<br> Dispondo aos Ceos o ataque occulto e forte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Trezentos Megaterios,(8) cem Mamoths,(9)<br> Domados por seu bra\u00e7o ao mar arrasta\u00f5<br> Ingentes negras pedras, qu\u2019 encorp\u00f3ra<br> Promontorios formando, donde espreita<br> De J\u00f3ve o ciume, e de Mav\u00f3rte as iras.<br> Aqui se affunda\u00f5 Lagos rabal\u00e7ando<br> Estofas negras aguas sonolentas,<br> Que habita\u00f5 bronzeos Jacar\u00e9s, e Monstros<br> De horrendo e t\u00f4rpe aspecto; d\u2019alli surgem<br> Escarpados rochedos, em qu\u2019 as ondas<br> Rebentando furiosas o ar atr\u00f4a\u00f5<br> Mugindo horriveis, revolvendo as Costas.<br> Altas Serras do Norte ao Sul prolonga<br> Sobre as nuvens erguendo-se azuladas;<br> Recortados penedos lhes guarnecem<br> Mil cab\u00ea\u00e7os, que os Ceos ro\u00e7ando afronta\u00f5,<br> De guerreiros merloens vestindo os muros.<br> Novas r\u00f3chas ao mar d\u2019aqui se ajunta\u00f5,<br> De espasso a\u2019espasso o Reino dividindo,<br> Possantes botar\u00e9os, que a ma\u00f5 robusta<br> Do soberbo Gigante \u00e1s Serras d\u00e9ra:<br> Fechadas selvas c\u00f3brem amplos valles,<br> D\u2019onde avulta\u00f5 mil ingremes Castellos<br> Sobindo de huma, e de outra parte \u00e1s nuvens.<br> Urra\u00f5 Tigres furiosos, que retousa\u00f5<br> Nas horr\u00edveis cavernas, aballando<br> Pedras, Troncos, Rochedos, Valles, Rios;<br> Silva\u00f5 negras Giboias corpulentas<br> Vedando ao bosque emaranhado a entrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Contente Nicteroy o ensejo aguarda;<br> Da empreza a gloria o enl\u00e9va, e meditando<br> Na Siderea conquista, devan\u00eaa.<br> La quando o Sol nos mares mergulhava<br> Os seus fogosos rapidos Ethontes,<br> Corrido ja de Capro o Reino em circ\u2019lo<br> \u00c1s brenhas pronto o J\u00f3ven se encaminha<br> D\u2019aqui vaidoso a vista aos Ceos erguendo<br> Dos Astros marca a lucida phalange,<br> D\u2019aquelle a for\u00e7a, e d\u2019este a raiva obs\u00e9rva<br> Prudente os golpes calculando e os tiros,<br> Que em breve disparar pretende ousado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> De Marte o aspecto horr\u00edvel se lhe-ant\u00f3lha<br> Scintillando guerreiro, irado, e forte;<br> Inda a lan\u00e7a, que enristra, o sangue empana<br> De Mimas, qu\u2019 \u00e1 vingan\u00e7a o Filho excita.<br> Arde o peito em furor; he fogo, e chama,<br> Que abraza, queima, e devorando ass\u00f4ma;<br> Penedo grave arranca, \u00e1 Marte o ass\u00e9sta,<br> Firmando os pes os bra\u00e7os retorcendo,<br> Encravados no imigo o intento e os olhos<br> At\u00e1lha o Ceo a estolida ousadia;<br> Eis subito clara\u00f5 do ethereo assento<br> As nuvens r\u00e1sga rapido e estrondoso;<br> Br\u00e1ma J\u00f3ve iracundo, sacudindo<br> Da rubra dextra o raio ac\u00easo e pronto.<br> Baqu\u00eaa o gram col\u00f3sso, arqueja e treme,<br> Varado o peito e o cora\u00e7a\u00f5, qu\u2019 ent\u00f3rna\u00f5<br> Borbotoens d\u2019atro sangue espumeo e quente.<br> Mordendo as r\u00f3chas urra e se deb\u00e1te,<br> Mas a vida lhe f\u00f3ge, e a f\u00f4r\u00e7a, e a raiva.<br> Tomba d\u2019altas montanhas despenhado<br> Frondosos troncos, pedras arrastrando,<br> Que ao corpo en\u00f3rme, en\u00f3rme estrada abrira\u00f5.<br> Ao baque horrivel tremem terra e mares,<br> E largo tempo ao longe ressoando,<br> Nos fundos vitreos pa\u00e7os apav\u00f3ra\u00f5(10)<br> Amphitrite, Nereidas, Tethys, Glauco.<br> Trita\u00f5 ligeiro \u00e1 flor das aguas n\u00e1da,<br> Voltando \u00e1 praia o rosto obs\u00e9rva e admira<br> Fulgurando d\u2019instante a instante a Serra,<br> Que a chama cr\u00e9sta, e negro sangue esc\u00f3rre.<br> Horrendo corpo ressupino avista<br> Que entalla\u00f5 terra e pedras, qu\u2019 enche e occ\u00fapa<br> Do feio bosque ao mar estenso espa\u00e7o.<br> Inda o grande penedo, qu\u2019 arrojava<br> Segura a dextra m\u00f3rta; ind\u2019horriza<br> Medonho e f\u00e9ro o aspecto aos Ceos voltado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Eis carpindo-se Atlantida comm\u00f3ve<br> Do equoreo Reino o lindo Coro \u00e1 magua;<br> Perdida a cor das faces, desgrenhada,<br> Transida e bella nos olhos lhe retr\u00e1ta\u00f5<br> Ternura maternal, que o peito nutre.<br> Convulsa m\u00f3ve os passos, misturando<br> Com pranto am\u00e1rgo as vozes, que lhe tronca\u00f5<br> Ami\u00fadados suspiros; eis, Neptuno,<br> Eis de J\u00f3ve o rancor (excl\u00e1ma, e ch\u00f3ra;)<br> Nicteroy insepulto, e sobre hum campo<br> De hum raio jaz ferido! A estirpe Augusta<br> Do P\u00e1e dos Deoses, hoje ac\u00e1ba, exp\u00edra<br> No forte surprehendido illustre J\u00f3ven.<br> Vingar paterna injuria foi seu crime,<br> Ao crime excede a pena, se na\u00f5 valle\u015f<br> \u00c1 mal fadada Atlantida, que escudas.<br> P\u00f4de Encelado(11) aos Ceos arremessar-se<br> Com for\u00e7a e raiva, altivo presumindo<br> Privar do Throno a Jupiter Supremo,<br> Recobrando o direito ao Sceptro ativo.<br> Typheu,(12) Adamastor,(13) Otho, (14) podera\u00f5<br> Soberbos guerrear na empresa affoitos;<br> Conturb\u00e1ra\u00f5, mudando a face \u00e1 terra,<br> Montanhas, Mares, Rios, Astros, Deoses.<br> Baixou dos Ceos terrifica vingan\u00e7a,<br> Mercurio, Pallas, Marte, convert\u00eara\u00f5,<br> Dos impios em castigo, Penhas, Ilhas<br> Que leves sobre as nuvens revo\u00e1va\u00f5.<br> Do fundo Averno aquelles brama\u00f5; estes<br> A gr\u00e1ves montes sotop\u00f3stos vivem.<br> Mas inda s\u00f3bem do Etna(15) inflamado<br> Fumo e chamas, qu\u2019 att\u00e9sta\u00f5 for\u00e7a e brio<br> Do oprimido Gigante, inda tremendo<br> Em Rh\u00f3d\u00f3pe,(16) Inarrima,(17) e Creta(18) as torres<br> De seus corpos erguidas eterniza\u00f5<br> Dos Titaens a memoria, a empreza, e a estirpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Nicteroy de Saturno he pr\u00f3le, he sangue;<br> E o nome seu a morte ao Lethe dando,<br> Inglorio o roubar\u00e1 do mundo \u00e1 fama?<br> Raivosas f\u00e9ras ja tal vez dev\u00f3rem<br> Seu corpo exangue, e ja crocitem perto<br> Em bandos mil carnivoros Abutres;<br> Branquejando os seus ossos tal vez m\u00f3strem<br> Em dias, que o futuro esconde aos homens<br> De ingente monstro horrifico esqueleto;<br> E a tanto subira\u00f5 de J\u00f4ve as iras?<br> D\u00e1 que a Fama o cel\u00e9bre, d\u00e1 Neptuno\u2026.<br> Recr\u00e9sce o pranto, a fr\u00e1ca voz lh\u2019emb\u00e1rga,<br> As ma\u00f5s suplice estende, e aflictos vertem<br> Os lindos olhos lagrimas, que suprem<br> Confuzos termos, qu\u2019em seus labios m\u00f3rrem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Suspira enta\u00f5 Neptuno, e meigo abra\u00e7a,<br> A lastimosa Atlantida, rompendo<br> Morno silencio, que suspende e enluta<br> A maritima Corte. He justo, (exclama)<br> He justo sim, que viva eternizado<br> No mundo o filho teu, qu\u2019 outr\u2019hora f\u00f4ra<br> Por mim da morte injusta occulto e salvo.<br> O pranto enx\u00faga pois, Neptuno attende<br> A M\u00e3e de Nicteroy formosa e m\u00e9sta;<br> Castiga J\u00f3ve hum crime, e na\u00f5 consente<br> Que sobre a terra acabe o nome, a fama<br> De hum filho, que a vingar seu P\u00e1e s\u2019erguera;<br> Foi de Mimas heran\u00e7a a for\u00e7a e brio,<br> Mimas vive lembrado em Phlegra, em Lemnos,<br> Vivir\u00e1 Nicteroy lembrado e eterno<br> Na Serra, e Valle, e R\u00f3cha, que apont\u00e1ra<br> Ao terrifico Marte, em furia ac\u00easo.<br> A hum justo pranto hum justo apr\u00ea\u00e7o he dado,<br> Ternura maternal te affoita, e eu quero<br> Do morto filho a gloria eternizando,<br> Mostrar que abrigo Her\u00f3e, de Heroes nascido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> De Phebo a luz doirava a Serra e as Brenhas,<br> Dos picos mais erguidos dissipando<br> Nocturna branca nevoa, que descia<br> Ao verde prado, enta\u00f5 Neptuno surge<br> Na argentea Conxa, qu\u2019Hyppocampos tira\u00f5<br> Os crespos mares(19) aplainando, e abrindo<br> Ruidosa marcha qu\u2019alva escuma c\u00f3bre.<br> D\u2019aqui vaidosos negros Ph\u00f3cas n\u00e1da\u00f5<br> Do dorso sobre as ondas levantando<br> Cym\u00f3d\u00f3ce, Melite, Spio, Nisea;<br> Escamosos Delphins dalli se ostenta\u00f5,<br> Que em torno as aguas assoprando espargem<br> Dos ares sobre as Nymphas; Glauco, Ph\u00f3rco,<br> Palemon e os Tritoens, em turmas seguem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Defronta\u00f5 ja co\u2019 a praia, e campo, e Serra;<br> Desmaia a linda Atlantida banhando<br> Em novo ac\u00e9rbo pranto a face e o peito;<br> Qual flor nocturna e bella, qu\u2019orvalhada<br> Nos jardins se aprazia, e ao Sol murchando,<br> A galla p\u00e9rde, inclina-se impellida<br> Do brando vento ao sopro, que a affag\u00e1va.<br> Neptuno as ma\u00f5s lhe toma, aperta, beija,<br> E ao hirto corpo enta\u00f5 a vista alonga;<br> \u00d3 virtude de hum Deos! \u00d3 for\u00e7a! \u00d3 pasmo!<br> Desfaz-se gram cadaver pronto em agua,<br> Que f\u00e9rve, salta, muge, avulta, e a\u00e7oita<br> Os valles, selvas, montes, brenhas, r\u00f3chas.<br> No estenso mar, que o verde campo al\u00e1ga<br> De espa\u00e7o \u00e1 espa\u00e7o \u00e1vista\u00f5-se os penedos<br> Derrocados por Jupiter Tonante.<br> Ao novo mar garganta nova se \u00e1bre,<br> Ferindo a Costa o valido Tridente<br> Juncto \u00e1 r\u00f3cha, que \u00e1 Marte se assest\u00e1ra,<br> E qu\u2019inda ao mar voltada as nuvens busca.<br> Em confuso marulho, em gr\u00f3ssas ondas<br> Descendo as aguas rapidas enfia\u00f5<br> A estreita foz, qu\u2019as s\u00f3lta aos mares; Glauco,<br> Qu\u2019em cem Rios(20) banhar-se Tethys manda,<br> Porqu\u2019 este so faltava, alegre salta,<br> Exp\u00f5e ligeiro \u00e1 tumida corrente<br> O peito largo e cerulo, qu\u2019a qu\u00e9bra<br> For\u00e7ando as aguas, dividindo a escuma.<br> Da hirsuta grenha verdes Algas descem<br> Assombrando-lhe a t\u00e9sta, a face, e os olhos,<br> (Os olhos, em que Scylla encantos via<br> Raivoso ciume em Circe(21) despertando.)<br> A barba negra esqualida goteja<br> Salgada limpha dentre os limos prenhes.<br> Ramoso tronco de coral na dextra<br> Levanta aos ares, co\u2019 a sinistra r\u00eama.<br> Pairando sobre as ondas, que lh\u2019escondem<br> D\u2019atro peixe escamosa cauda e longa.(22)<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Ind\u2019alto pasmo os animos enl\u00e9va,<br> E j\u00e1 murmura placida a corrente,<br> Igualando-se ao mar soberbo o Lago<br> Na foz, que a r\u00f3cha fraldejando aff\u00e1ga,<br> Quando Glauco o silencio rompe, exclama,<br> Do peito alegres vozes desprendendo<br> Que o trespasso d\u2019Atlantida termina\u00f5.<br> \u201cEis Divino furor m\u2019impelle e ag\u00edta,<br> \u201cDeoses, Nereidas, escutai meu canto;<br> \u201cCeleste fogo os ossos me perc\u00f3rre,<br> \u201cDivina inspira\u00e7a\u00f5 na mente eu sinto,<br> \u201cVigor mais nobre e santo me arreb\u00e1ta,<br> \u201cDo qu\u2019esse, que d\u2019Anthedon(23) me arranc\u00e1ra,<br> \u201cDe occultas hervas, por virtude occulta,<br> \u201cDas novas aguas mago influxo tenho,<br> \u201cJa sou Propheta e Deos, eu vejo, eu vejo<br> \u201cDe par em par ab\u00e9rtas aos meos olhos<br> \u201cAs ferreas p\u00f3rtas d\u2019hum porvir distante.<br> \u201cExulta, exulta, Atlantida, que a Fama<br> \u201cDo morto filho teu sublime a gloria<br> \u201cE eterno o Lago faz, eterno o nome.<br> \u201cTroveje em va\u00f5 Mavorte sobre a Serra,<br> \u201cEm va\u00f5 raivoso empr\u00e9gue a lan\u00e7a e a for\u00e7a<br> \u201cNo gr\u00e3m rochedo, qu\u2019alto feito att\u00e9sta;<br> \u201cImmortal ficar\u00e1s, \u00f3 pedra, e ao 1onge(24)<br> \u201cDo novo Rio a barra assinalando<br> \u201cNicteroy lembrar\u00e1s aos Ceos e ao Mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> \u201cMisterio novo e grande eu vejo e admiro;<br> \u201cBrilhantes feitos surgem refulgindo<br> \u201cDas Urnas, qu\u2019inda o Fado aos homens v\u00e9da,<br> \u201cRompem quilhas soberbas negros mares<br> \u201cPasmosa marcha enderessando afoitas;<br> \u201cDomada a furia aos Euros, Lusos fortes,<br> \u201cNos Ceos pregada a vista, e as ma\u00f5s no L\u00e9me,<br> \u201cD\u2019Aurora ao ber\u00e7o impavidos proeja\u00f5;<br> \u201cEis subita procella o Fado excita<br> \u201cPropicia e rija os lenhos empuchando<br> \u201c\u00c1 nova Plaga e Occulta; eu oi\u00e7o, eu oi\u00e7o<br> \u201cO alegre som dos vivas com qu\u2019arv\u00f3ra<br> \u201cSobre as praias Cabral(25) a Cruz e as Quinas.<br> \u201c(A Cruz, que \u00e1 Pl\u00e1ga d\u00e1 virtude e nome,<br> \u201cNome,(26) qu\u2019atr\u2019 ambi\u00e7a\u00f5 trocando, vive<br> \u201cNos penedos, qu\u2019a\u2019 dextra o Rio aperta\u00f5<br> \u201cD\u2019esta \u00e1bra ingente, qu\u2019alta gloria espera.)<br> \u201cLobriga Marte a lucida grandeza,<br> \u201cQue do imigo o recinto abrilhantando,<br> \u201cDa victoria o valor lhe ab\u00e1te e a fama;<br> \u201cEis pronto, Alectrion(27) mandado espreita,<br> \u201cDo verde Lago em meio, em torre erguida,<br> \u201cO mar, a terra, e as brenhas; mas que p\u00f3de<br> \u201cDa vingan\u00e7a o furor, se o Fado he contra?<br> \u201cMem(28) de S\u00e1 daqui surge, he fogo, e raio;<br> \u201cDesmantellar-se a torre, o Gallo esc\u00e1pa;<br> \u201cLa cresce a gram Cidade, que nas aguas<br> \u201cDo famoso Gigante retratada,<br> \u201cD\u2019altos montes as fraldas b\u00f3rda, e as praias.<br> \u201cD\u2019hum J\u00f3ven bravo e Santo o nome aceita,<br> \u201cSem perder o de Rio ao Lago imposto;<br> \u201cAqui se ostenta provida a Natura,<br> \u201cThezoiros n\u00f3vos d\u2019alto pre\u00e7o abrindo<br> \u201cNo florido matiz do campo e s\u00e9lva.<br> \u201cAqui do Inverno a rispida melena<br> \u201cNa\u00f5 sac\u00f3de a Saraiva, a Neve, e o Gello.<br> \u201cDe eterna pompa as arvores se arrea\u00f5,<br> \u201cPomos e Flores de seus ramos pendem<br> \u201cQuaes nunca o Horto Esperido guard\u00e1ra.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c\u00d3 como avulta em gloria! \u00d3 como a illustra\u00f5<br>\n\u201cHeroi\u00e7os Filhos, que o seu gremio ad\u00f3rna\u00f5?<br>\n\u201cNem s\u00f3 Roma ver\u00e1(29) Sulpicios nobres<br>\n\u201cComprando(30) a gram Cidade \u00e1 pezo d\u2019oiro,<br>\n\u201cQue de Breno a ambi\u00e7a\u00f5 e a espada agr\u00e1va\u00f5.<br>\n\u201cA mesma ingente gloria, qu\u2019assin\u00e1la<br>\n\u201cDe Romulo o sepulcro(31) illustra e m\u00e1rca<br>\n\u201cAs auriverdes Nicteroicas aguas,<br>\n\u201cDa Patria e da Na\u00e7a\u00f5 o Amor florece<br>\n\u201cDo Rio sobre as margens; Ah! sa\u00f5 Lusos<br>\n\u201cD\u2019antigo Tronco ramos, que prosp\u00e9ra\u00f5<br>\n\u201cSem perder a virtude, a for\u00e7a, e o brio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> \u201c\u00d3 como avulta em gloria! \u00d3 como a illustra\u00f5<br> \u201cDo seu governo as redes manejando,<br> \u201cIncansaveis Andrades!(32) Cunhas(38) duros!<br> \u201cTu pacato Rolim!(34) activo Almeida,(35)<br> \u201cQue mais amplo poder regendo \u00e9llevas<br> \u201cA Cultura, o Commercio, as Armas, tudo<br> \u201cA hum lustre, que o teu nome acl\u00e1ra, e af\u00e1ma.<br> \u201cNem cede em zelo hum Vasconcellos(36) d\u00e9xtro,<br> \u201cQue o vicio esp\u00e1nca, e as artes acolhendo,<br> \u201cAnima o Genio, qu\u2019eterniza a gloria<br> \u201cDa florente Cidade. Hum Castro(37) eu vejo<br> \u201cMelancholico e forte. Hum Sabio admiro<br> \u201cDo Rey, da Patria, amigo; esteio adorno<br> \u201cDo Throno e da Na\u00e7a\u00f5; thezoiro excelso<br> \u201cDe virtudes sublimes; que \u00e1ma o Sabio,<br> \u201cO Justo \u00e1bra\u00e7a, Portugal(38) seu nome<br> \u201cNa lembran\u00e7a dos bons fulgura e vive.<br> \u201cTu guerreiro Noronha(39) as redeas tomam,<br> \u201cPrudente, firme, e prosseguindo ostentas<br> \u201cSaber profundo, Amor, Virtude, e Genio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c\u00d3 como avulta em gloria! Ah! novos F\u00e1stos<br>\n\u201cDo filho teu, Atlantida enobrecem<br>\n\u201cNo mundo, o Lago, qu\u2019hoje occulto admiras.<br>\n\u201cDias mais bellos no por-vir s\u2019ant\u00f3lha\u00f5,<br>\n\u201cE o Fado \u00e1pouta hum seculo ditoso,<br>\n\u201cEm qu\u2019a El\u00edzia disputa a fama o Rio.<br>\n\u201cEis amplo assento e baze d\u2019aureo Throno,<br>\n\u201cQu\u2019escolta\u00f5 sempre lucidas virtudes;<br>\n\u201cAqui m\u00e9dra e florece em for\u00e7a em gloria<br>\n\u201cEsse Tronco, que o Ceo plant\u00e1ra outr\u2019hora<br>\n\u201cNo heroico S\u00f3lo em que troveja a guerra.<br>\n\u201cJa d\u2019entre as ma\u00f5s d\u2019hum Pelias,(40) qu\u2019empolgava<br>\n\u201cNova Iolcos no Tejo astuto e forte,<br>\n\u201cHum mais nobre Jason mais sabio esc\u00e1pa.<br>\n\u201cPerdendo o nome, ao Rio inveja Colchos<br>\n\u201cVara\u00f5 mais digno d\u2019aurea fama; surge<br>\n\u201cDas negras ma\u00f5s d\u2019horrenda tempestade(41)<br>\n\u201cHum dia, que do mundo a sorte muda.<br>\n\u201cSalve, \u00f3 dia feliz! ditoso dia,<br>\n\u201cQue mais ampla carreira ao Genio abrindo,<br>\n\u201cNo velho mundo o esfor\u00e7o dispertando,<br>\n\u201cA paz do Globo proxima asseguras.<br>\n\u201cSalve, Princepe Excelso, que \u00e1brilh\u00e1ntas<br>\n\u201cCom justo Sceptro e Croa, a Pl\u00e1ga e o Lago,<br>\n\u201cEm qu\u2019hoje o Fado o teu poder m\u2019inculca.<br>\n\u201cEterniza\u00f5-te o nome a historia a fama,<br>\n\u201cEp\u00f3ca illustre assinalando aos p\u00f3vos<br>\n\u201cNo vasto e rico Imperio, qu\u2019\u00e9rgues Sabio.<br>\n\u201cVejo as Quinas, qu\u2019 ao Indo, e ao Ganges d\u00e1va\u00f5<br>\n\u201cTerror, desmaio, floreando ovantes<br>\n\u201cDas N\u00e1os dos Albuquerques, Castros, Gamas,<br>\n\u201cSublimadas na Esph\u00e9ra, agora dando<br>\n\u201cDo novo Reino Brazileiro o indicio.(42)<br>\n\u201cVejo hum Rey acclamar-se(43) \u00f3 pasmo! \u00f3 gloria!<br>\n\u201cSera\u00f5 d\u2019Ourique os campos estas margem,<br>\n\u201cQue s\u00f3 Natura esm\u00e1lta agora e veste?<br>\n\u201cRevive Affon\u00e7o acazo! He este o Tejo?<br>\n\u201cHe este o Luso Heroe, qu\u2019hum Throno funda<br>\n\u201cSem dos Evos temer o estrago, e a for\u00e7a?<br>\n\u201cFulg\u00fara o Ceo d\u2019Ourique; a Cruz se ad\u00f3ra<br>\n\u201cD\u2019igneos raios vestida, Santa, e bella.<br>\n\u201cD\u2019alta noite rompendo o veo nubloso,<br>\n\u201cRefl\u00e9cte a luz nas Armas Luzitanas.<br>\n\u201cCerrados esquadroens desm\u00e1ia\u00f5 f\u00f3gem<br>\n\u201cEclipsadas as Luas, cresce o esfor\u00e7o<br>\n\u201cQue o novo Reino Portuguez ell\u00e9va,<br>\n\u201cFerindo o escudo e as armas mil guerreiros<br>\n\u201cLa sa\u00fada\u00f5 Monarca Affon\u00e7o, o invicto,<br>\n\u201cQue o Ceo prot\u00e9ge, e a terra admira e accl\u00e1ma,<br>\n\u201cAuspicio igual aqui respeita o Rio;<br>\n\u201cLumiuoso Cruzeiro ao Sul refulge,<br>\n\u201cDo novo Reino a gloria eternizando,<br>\n\u201cQue hum Princepe esfor\u00e7ado assenta e \u00e1firma,<br>\n\u201cCingindo a Croa e a Purpura, que ad\u00f3rna\u00f5<br>\n\u201cEternos brilhos de virtude avita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> \u201cAO GRANDE, AO SEXTO JOA\u00d5, que n\u2019esta Pl\u00e1ga<br> \u201cPrimeiro ao Regio Throno S\u00f3be, o mundo<br> \u201cErguendo as vistas respeitoso ac\u00e1ta:<br> \u201cNicteroy, Nicteroy, hum Throno, hum Reino,<br> \u201cQue a Cruz deffende, e hum Sabio esc\u00f3ra, e \u00e1fama,<br> \u201cDo Lago teu nas margens brilha, e cresce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> \u201cVejo a gloria esmaltando a Estirpe Augusta<br> \u201cDo Regio Bragantino e Excelso Tronco;<br> \u201cNova estrella enriquece o Ceo do Rio,(44)<br> \u201cTa\u00f5 bella como a d\u2019Alva, ta\u00f5 formoza,<br> \u201cComo a gema engastada em oiro ou prata.<br> \u201cDo mar desponta, he Venus, e os Amores<br> \u201cEm torno brinca\u00f5, do Danubio a s\u00e9guem;<br> \u201cJa d\u2019hum Principe Heroico aos bra\u00e7os chega,<br> \u201cE o Ceo, que os liga d\u2019Hymeneo c\u00f3 os la\u00e7os,<br> \u201cEm reciproco Amor, em grato auspicio,<br> \u201cPerduravel grandeza ao Rio aug\u00fara.<br> \u201cNem me occulta o Futuro ou Fado arcanos,<br> \u201cQue a mente em Santo fogo ardendo anc\u00eaa\u00f5;<br> \u201cProsp\u00e9ra, \u00d3 par ditoso! Exulta, \u00d3 Pl\u00e1ga,<br> \u201cQue o Ceo de ben\u00e7a\u00f5s enriqu\u00e9ce e ex\u00e1lta!<br> \u201cClara\u00f5 de eterna gloria os Evos doira,<br> \u201cDesponta\u00f5 mais brilhantes novos dias,<br> \u201cMarcando a Cruz a dura\u00e7a\u00f5, qu\u2019esc\u00e1pa<br> \u201cAos frouxos \u00f3lhos d\u2019indagar cansados.<br> \u201cPenhor(45) Augusto vejo, acato, e admiro!<br> \u201cTernura Conjugal o \u00e1f\u00e1ga, o abr\u00e0\u00e7a;<br> \u201cNas faces brinca\u00f5 rizos, sobre o b\u00ear\u00e7o<br> \u201cAdeja\u00f5 v\u00f3tos do Brazil, do Mundo;<br> \u201cTraz no sangue de Her\u00f3es virtude e gra\u00e7a;<br> \u201cLamego o Sceptro de Seus Paes lhe-offrece,<br> \u201cConcentra a gloria de Bragan\u00e7a e d\u2019Austria.<br> \u201cNunca ao Sol, que desponta a linda r\u00f3za<br> \u201cD\u2019entre as flores, qu\u2019 esmalta\u00f5 prado ou selva<br> \u201cDo cerrado bota\u00f5 rompeo ta\u00f5 bella;<br> \u201cNunca, Atlantida, Estrella igual fulgindo,<br> \u201cNas frescas aguas do Danubio ou Tejo,<br> \u201cDos p\u00f3vos m\u00f3r aplauso \u00f3bteve; exulta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\"> Tremeo de novo a terra e o mar; Neptuno<br> \u00c1 Glauco impoem silencio ao ar levanta<br> O gram Tridente, abisma\u00f5\u00adse as Nereidas;<br> E a M\u00e3e de Nicteroy ao Coro unida<br> He nos mares por Deoza conhecida.<\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"> BARBOSA, Januario da Cunha. <em>Nicteroy<\/em>: Metamorphose do Rio de Janeiro. Composta e Anotada por Januario da Cunha Barbosa. Londres: R. Greenlaw, 1822. Digitalizado por Beethoven Alvarez. Dispon\u00edvel em:  <a href=\"http:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/nicteroy\">http:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/nicteroy<\/a>.  <br><br>Revisado por Gessylene Brasil em maio\/2020.<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>METAMORPHOSE DO RIO-DE-JANEIRO Ortografia original (1822) Nos bra\u00e7os maternaes, nascido apenas, Jazia Nicteroy,(1) Saturnea pr\u00f3le, Quando Mimas(2) seu P\u00e1e, Gigante en\u00f3rme, Que ao Ceo com ma\u00f5 soberba arremess\u00e1ra A flamigera Lemnos, arrancada Dos mares no furor de guerra impia, Tingio de sangue as aguas, salpicando De seu cerebro o Ossa,(3) o Olimpo, e o Otrys, [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-318","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/318","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=318"}],"version-history":[{"count":3,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/318\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":336,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/318\/revisions\/336"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=318"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=318"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=318"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}