{"id":322,"date":"2020-05-28T21:05:46","date_gmt":"2020-05-29T00:05:46","guid":{"rendered":"http:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/?page_id=322"},"modified":"2020-05-28T21:05:46","modified_gmt":"2020-05-29T00:05:46","slug":"niteroi","status":"publish","type":"page","link":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/niteroi\/","title":{"rendered":"NITER\u00d3I"},"content":{"rendered":"\n<p class=\"has-medium-font-size\">NITER\u00d3I: METAMORFOSE DO RIO DE JANEIRO<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"><em>Ortografia atualizada<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Nos bra\u00e7os maternais, nascido apenas,<br>\nJazia Niter\u00f3i, sat\u00farnea prole,<br>\nQuando Mimas seu pai, gigante enorme,<br>\nQue ao c\u00e9u com m\u00e3o soberba arremessara<br>\nA flam\u00edgera Lemnos, arrancada<br>\nDos mares no furor de guerra impia,<br>\nTingiu de sangue as \u00e1guas, salpicando<br>\nDe seu c\u00e9rebro o Ossa, o Olimpo e o \u00d3tris,<br>\nFerido pelo ferro, com que Marte<br>\nVingou de Jove a inj\u00faria em morte acerba.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Lamentando-se, Atl\u00e2ntida apertava<br>\nAo peito o filho, p\u00e1lida, temendo <br>\nTrissulcos raios que inda acesos via.<br>\nOuviu seu pranto o rei do arg\u00eanteo lago,<br>\nE o tenro infante, compassivo, acolhe. <br>\nNo choque horr\u00edvel que, dos Flegros Campos,<br>\nO mundo, sobre os polos, abalara<br>\nSurgiram novas terras, novos mares,<br>\nCobriram reinos, ilhas, cabos, brenhas.<br>\nNetuno aponta a plaga rica e vasta,<br>\nDo sepulcro do sol, erguida h\u00e1 pouco,<br>\nInda m\u00e1dida e nova, inda ignorada<br>\nDos homens e do mundo; aqui se abriga<br>\nA estirpe ilustre, em Mimas profligada,<br>\nQue o justo e paternal intento herdara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Cresceu com a idade a for\u00e7a, a raiva e o brio.<br>\nDa ilustre gera\u00e7\u00e3o fervendo o sangue<br>\nNas veias da tit\u00e2nia oculta prole,<br>\nRefor\u00e7a o bra\u00e7o, que \u00e1rduas feras doma, <br>\nQue troncos mil escacha, abate e arranca,<br>\nMudando o assento \u00e0s rochas alterosas.<br>\nCinge a frente ao robusto altivo jovem<br>\nCocar plumoso ornado de ametistas;<br>\nDiamantino fulgor contrasta o brilho<br>\nDe esmeraldas, rubis, top\u00e1zios louros,<br>\nQue a rica zona marchetando enfeitam.<br>\nNegra coma lhe desce aos ventos solta,<br>\nRepartida, vestindo os largos ombros.<br>\nNas faces brilha mocidade imberbe,<br>\nE a cor, que as tinge, porque o sol as cresta,<br>\nSemelha o cobre l\u00facido polido.<br>\nNos olhos leem-se os v\u00edvidos intentos,<br>\nQue de Mimas herdara e ocultos jazem<br>\nNo grande cora\u00e7\u00e3o, que a inj\u00faria abafa.<br>\nO esbelto colo tr\u00eas gorjeiras prendem<br>\nDe ouro e prata, e manilhas de ouro e gemas<br>\nOs musculosos bra\u00e7os lhe guarnecem.<br>\nAperta o ventre nu, reveste a cinta<br>\nFrald\u00e3o tecido de vistosas penas;<br>\nMosqueada pele um tiracolo forma,<br>\nDe que pende em carc\u00e1s cavado dente<br>\nDe monstro horrendo pelo mar gerado.<br>\nNiter\u00f3i daqui tira ervadas setas,<br>\nEm que as feras certeiro \u00e0 morte envia,<br>\nQuando as brenhas perlustra, e o bosque, e o prado.<br>\nEmpunha a destra m\u00e3o robusto tronco<br>\nDos ramos mal despido; \u00e9 esta a clava,<br>\nQue abate os tigres, os drag\u00f5es, e as serpes<br>\nMais pronto do que em Lerna o fero Alcides.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Grato a Netuno pressuroso entorna<br>\nDos altos montes rios caudalosos,<br>\nQue pujantes ao mar tributos levam;<br>\nTortuosa marcha Niter\u00f3i lhes sulca<br>\nPor onde correm pl\u00e1cidos os campos,<br>\nDepois que em negras firmes penedias<br>\nTrope\u00e7ando furiosos se indignaram,<br>\nDe branca escuma as margens alagando.<br>\nSurgem com as \u00e1guas, do tesouro oculto,<br>\nNas entranhas da terra intata e nova,<br>\nLuzentes pedras e ouro que abrilhantam<br>\nAs curvas, brancas, arenosas praias,<br>\nEm que o feudo Netuno aceita e guarda.<br>\nJ\u00e1 pretende vingar a infausta morte<br>\nQue inda Flegra eterniza, e Marte acusa;<br>\nNem perde a vista do sid\u00e9reo trono,<br>\nHeran\u00e7a paternal, de que expelida<br>\nFora por Jove de Saturno a prole. <br>\nJusti\u00e7a e for\u00e7a os \u00e2nimos lhe acendem,<br>\nCauteloso se apresta, e d\u00e1-se \u00e0 empresa<br>\nDispondo aos c\u00e9us o ataque oculto e forte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Trezentos megat\u00e9rios, cem mamutes,<br>\nDomados por seu bra\u00e7o ao mar arrastram<br>\nIngentes negras pedras, que incorpora<br>\nPromont\u00f3rios formando, donde espreita<br>\nDe Jove o ci\u00fame e de Mavorte as iras.<br>\nAqui se afundam lagos rebalsando<br>\nEstofas negras \u00e1guas sonolentas,<br>\nQue habitam br\u00f4nzeos jacar\u00e9s e monstros<br>\nDe horrendo e torpe aspecto; dali surgem<br>\nEscarpados rochedos, em que as ondas<br>\nRebentando furiosas o ar atroam<br>\nMugindo horr\u00edveis, revolvendo as costas.<br>\nAltas serras do norte ao sul prolonga<br>\nSobre as nuvens erguendo-se azuladas;<br>\nRecortados penedos lhes guarnecem<br>\nMil cabe\u00e7os, que os c\u00e9us ro\u00e7ando afrontam,<br>\nDe guerreiros merl\u00f5es vestindo os muros.<br>\nNovas rochas ao mar daqui se ajuntam,<br>\nDe espa\u00e7o a espa\u00e7o o reino dividindo,<br>\nPossantes botar\u00e9us, que a m\u00e3o robusta<br>\nDo soberbo gigante \u00e0s serras dera:<br>\nFechadas selvas cobrem amplos vales,<br>\nDonde avultam mil \u00edngremes castelos<br>\nSubindo de uma e de outra parte \u00e0s nuvens.<br>\nUrram tigres furiosos, que retou\u00e7am<br>\nNas horr\u00edveis cavernas, abalando<br>\nPedras, troncos, rochedos, vales, rios;<br>\nSilvam negras jiboias corpulentas<br>\nVedando ao bosque emaranhado a entrada.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Contente Niter\u00f3i o ensejo aguarda;<br>\nDa empresa a gl\u00f3ria o enleva, e meditando<br>\nNa sid\u00e9rea conquista, devaneia.<br>\nL\u00e1 quando o sol nos mares mergulhava<br>\nOs seus fogosos r\u00e1pidos Etontes,<br>\nCorrido j\u00e1 de Capro o reino em c\u00edrc\u2019lo<br>\n\u00c0s brenhas pronto o jovem se encaminha<br>\nDaqui vaidoso a vista aos c\u00e9us erguendo<br>\nDos Astros marca a l\u00facida falange,<br>\nDaquele a for\u00e7a e deste a raiva observa<br>\nPrudente os golpes calculando e os tiros,<br>\nQue em breve disparar pretende ousado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">De Marte o aspecto horr\u00edvel se lhe antolha<br>\nCintilando guerreiro, irado e forte;<br>\nInda a lan\u00e7a, que enrista, o sangue empana<br>\nDe Mimas, que \u00e0 vingan\u00e7a o filho excita.<br>\nArde o peito em furor; \u00e9 fogo e chama,<br>\nQue abrasa, queima, e devorando assoma;<br>\nPenedo grave arranca, a Marte o assesta,<br>\nFirmando os p\u00e9s os bra\u00e7os retorcendo,<br>\nEncravados no imigo o intento e os olhos<br>\nAtalha o c\u00e9u a est\u00f3lida ousadia;<br>\nEis s\u00fabito clar\u00e3o do et\u00e9reo assento<br>\nAs nuvens rasga r\u00e1pido e estrondoso;<br>\nBrama Jove iracundo, sacudindo<br>\nDa rubra destra o raio aceso e pronto.<br>\nBaqueia o gr\u00e3 colosso, arqueja e treme,<br>\nVarado o peito e o cora\u00e7\u00e3o, que entornam<br>\nBorbot\u00f5es de atro sangue esp\u00fameo e quente.<br>\nMordendo as rochas urra e se debate,<br>\nMas a vida lhe foge, e a for\u00e7a e a raiva.<br>\nTomba de altas montanhas despenhado<br>\nFrondosos troncos, pedras arrastrando,<br>\nQue ao corpo enorme, enorme estrada abriram.<br>\nAo baque horr\u00edvel tremem terra e mares,<br>\nE largo tempo ao longe ressoando,<br>\nNos fundos v\u00edtreos pa\u00e7os apavoram<br>\nAnfititre, Nereidas, T\u00e9tis, Glauco.<br>\nTrit\u00e3o ligeiro \u00e0 flor das aguas nada,<br>\nVoltando \u00e0 praia o rosto observa e admira<br>\nFulgurando de instante a instante a serra,<br>\nQue a chama cresta, e negro sangue escorre.<br>\nHorrendo corpo ressupino avista<br>\nQue entalam terra e pedras, que enche e ocupa<br>\nDo feio bosque ao mar extenso espa\u00e7o.<br>\nInda o grande penedo, que arrojava<br>\nSegura a destra morta; inda horroriza<br>\nMedonho e fero o aspecto aos c\u00e9us voltado.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Eis carpindo-se Atl\u00e2ntida comove<br>\nDo equ\u00f3reo reino o lindo coro \u00e0 m\u00e1goa;<br>\nPerdida a cor das faces, desgrenhada,<br>\nTransida e bela nos olhos lhe retratam<br>\nTernura maternal, que o peito nutre.<br>\nConvulsa move os passos, misturando<br>\nCom pranto amargo as vozes, que lhe entroncam<br>\nAmiudados suspiros: \u201cEis, Netuno,<br>\nEis de Jove o rancor (exclama e chora;)<br>\nNiter\u00f3i insepulto, e sobre um campo<br>\nDe um raio jaz ferido! A estirpe augusta<br>\nDo pai dos deuses hoje acaba, expira<br>\nNo forte surpreendido ilustre jovem.<br>\nVingar paterna inj\u00faria foi seu crime,<br>\nAo crime excede a pena, se n\u00e3o vales<br>\n\u00c0 mal fadada Atl\u00e2ntida, que escudas.<br>\nP\u00f4de Encelado aos c\u00e9us arremessar-se<br>\nCom for\u00e7a e raiva, altivo presumindo<br>\nPrivar do trono a J\u00fapiter Supremo,<br>\nRecobrando o direito ao cetro avito.<br>\nTifeu, Adamastor, Oto, puderam<br>\nSoberbos guerrear na empresa afoitos;<br>\nConturbaram, mudando a face \u00e0 terra,<br>\nMontanhas, mares, rios, astros, deuses.<br>\nBaixou dos c\u00e9us terr\u00edfica vingan\u00e7a,<br>\nMerc\u00fario, Palas, Marte converteram,<br>\nDos \u00edmpios em castigo, penhas, ilhas<br>\nQue leves sobre as nuvens revoavam.<br>\nDo fundo Averno aqueles bramam; estes<br>\nA graves montes sotopostos vivem.<br>\nMas inda sobem do Etna inflamado<br>\nFumo e chamas, que atestam for\u00e7a e brio<br>\nDo oprimido gigante, inda tremendo<br>\nEm R\u00f3dope, Inarrima, e Creta as torres<br>\nDe seus corpos erguidas eternizam<br>\nDos Tit\u00e3s a mem\u00f3ria, a empresa, e a estirpe.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Niter\u00f3i de Saturno \u00e9 prole, \u00e9 sangue;<br>\nE o nome seu a morte ao Lete dando,<br>\nIngl\u00f3rio o roubar\u00e1 do mundo \u00e0 fama?<br>\nRaivosas feras j\u00e1 talvez devorem<br>\nSeu corpo exangue, e j\u00e1 crocitem perto<br>\nEm bandos mil carn\u00edvoros abutres;<br>\nBranquejando os seus ossos talvez mostrem<br>\nEm dias, que o futuro esconde aos homens<br>\nDe ingente monstro horr\u00edfico esqueleto;<br>\nE a tanto subiram de Jove as iras?<br>\nD\u00e1 que a Fama o celebre, d\u00e1 Netuno\u2026.<br>\nRecresce o pranto, a fraca voz lhe embarga,<br>\nAs m\u00e3os, s\u00faplice, estende, e aflitos vertem<br>\nOs lindos olhos l\u00e1grimas, que suprem<br>\nConfusos termos, que em seus l\u00e1bios morrem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Suspira ent\u00e3o Netuno e meigo abra\u00e7a,<br>\nA lastimosa Atl\u00e2ntida, rompendo<br>\nMorno silencio, que suspende e enluta<br>\nA mar\u00edtima corte. \u00c9 justo, (exclama)<br>\n\u00c9 justo sim, que viva eternizado<br>\nNo mundo o filho teu, que outrora fora<br>\nPor mim da morte injusta oculto e salvo.<br>\nO pranto enxuga pois, Netuno atende<br>\nA m\u00e3e de Niter\u00f3i formosa e mesta;<br>\nCastiga Jove um crime, e n\u00e3o consente<br>\nQue sobre a terra acabe o nome, a fama<br>\nDe um filho, que a vingar seu pai se erguera;<br>\nFoi de Mimas heran\u00e7a a for\u00e7a e o brio,<br>\nMimas vive lembrado em Flegra, em Lemnos,<br>\nViver\u00e1 Niter\u00f3i lembrado e eterno<br>\nNa serra, e vale, e rocha, que apontara<br>\nAo terr\u00edfico Marte, em f\u00faria aceso.<br>\nA um justo pranto um justo apre\u00e7o \u00e9 dado,<br>\nTernura maternal te afoita, e eu quero<br>\nDo morto filho a gl\u00f3ria eternizando,<br>\nMostrar que abrigo her\u00f3i, de her\u00f3is nascido.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">De Febo a luz doirava a serra e as brenhas,<br>\nDos picos mais erguidos dissipando<br>\nNoturna branca n\u00e9voa, que descia<br>\nAo verde prado, ent\u00e3o Netuno surge<br>\nNa arg\u00eantea concha, que hipocampos tiram<br>\nOs crespos mares aplainando, e abrindo<br>\nRuidosa marcha que alva escuma cobre.<br>\nDaqui vaidosos negros focas nadam<br>\nDo dorso sobre as ondas levantando<br>\nCim\u00f3doce, Melite, Spio, Nic\u00e9ia;<br>\nEscamosos delfins dali se ostentam,<br>\nQue em torno as \u00e1guas assoprando espargem<br>\nDos ares sobre as ninfas; Glauco, Forco,<br>\nPal\u00eamon e os Trit\u00f5es, em turmas seguem.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Defrontam j\u00e1 com a praia, e campo, e serra;<br>\nDesmaia a linda Atl\u00e2ntida banhando<br>\nEm novo acerbo pranto a face e o peito;<br>\nQual flor noturna e bela, que orvalhada<br>\nNos jardins se aprazia, e ao sol murchando,<br>\nA gala perde, inclina-se impelida<br>\nDo brando vento ao sopro, que a afagava.<br>\nNetuno as m\u00e3os lhe toma, aperta, beija,<br>\nE ao hirto corpo ent\u00e3o a vista alonga;<br>\n\u00d3 virtude de um deus! \u00d3 for\u00e7a! \u00d3 pasmo!<br>\nDesfaz-se o gr\u00e3 cad\u00e1ver pronto em \u00e1gua,<br>\nQue ferve, salta, muge, avulta e a\u00e7oita<br>\nOs vales, selvas, montes, brenhas, rochas.<br>\nNo extenso mar, que o verde campo alaga<br>\nDe espa\u00e7o a espa\u00e7o avistam-se os penedos<br>\nDerrocados por J\u00fapiter Tonante.<br>\nAo novo mar garganta nova se abre,<br>\nFerindo a costa o v\u00e1lido tridente<br>\nJunto \u00e0 rocha, que a Marte se assestara,<br>\nE que inda ao mar voltada as nuvens busca.<br>\nEm confuso marulho, em grossas ondas<br>\nDescendo as \u00e1guas r\u00e1pidas enfiam<br>\nA estreita foz, que as solta aos mares; Glauco,<br>\nQue em cem rios banhar-se T\u00e9tis manda,<br>\nPorque este s\u00f3 faltava, alegre salta,<br>\nExp\u00f5e ligeiro \u00e0 t\u00famida corrente<br>\nO peito largo e c\u00e9rulo, que a quebra<br>\nFor\u00e7ando as \u00e1guas, dividindo a escuma.<br>\nDa hirsuta grenha verdes algas descem<br>\nAssombrando-lhe a testa, a face, e os olhos,<br>\n(Os olhos, em que Cila encantos via<br>\nRaivoso ci\u00fame em Circe despertando.)<br>\nA barba negra esqu\u00e1lida goteja<br>\nSalgada linfa dentre os limos prenhes.<br>\nRamoso tronco de coral na destra<br>\nLevanta aos ares, com a sinistra rema.<br>\nPairando sobre as ondas, que lhe escondem<br>\nDe atro peixe escamosa cauda e longa.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Inda alto pasmo os \u00e2nimos enleva,<br>\nE j\u00e1 murmura pl\u00e1cida a corrente,<br>\nIgualando-se ao mar soberbo o lago<br>\nNa foz, que a rocha fraldejando afaga,<br>\nQuando Glauco o sil\u00eancio rompe, exclama,<br>\nDo peito alegres vozes desprendendo<br>\nQue o trespasso de Atl\u00e2ntida terminam.<br>\n\u201cEis divino furor me impele e agita,<br>\n\u201cDeuses, Nereidas, escutai meu canto;<br>\n\u201cCeleste fogo os ossos me percorre,<br>\n\u201cDivina inspira\u00e7\u00e3o na mente eu sinto,<br>\n\u201cVigor mais nobre e santo me arrebata,<br>\n\u201cDo que esse, que de Ant\u00eadon me arrancara,<br>\n\u201cDe ocultas ervas, por virtude oculta,<br>\n\u201cDas novas \u00e1guas mago influxo tenho,<br>\n\u201cJ\u00e1 sou profeta e deus, eu vejo, eu vejo<br>\n\u201cDe par em par abertas aos meus olhos<br>\n\u201cAs f\u00e9rreas portas de um porvir distante.<br>\n\u201cExulta, exulta, Atl\u00e2ntida, que a fama<br>\n\u201cDo morto filho teu sublime a gl\u00f3ria<br>\n\u201cE eterno o lago faz, eterno o nome.<br>\n\u201cTroveje em v\u00e3o Mavorte sobre a serra,<br>\n\u201cEm v\u00e3o raivoso empregue a lan\u00e7a e a for\u00e7a<br>\n\u201cNo gr\u00e3 rochedo, que alto feito atesta;<br>\n\u201cImortal ficar\u00e1s, \u00f3 pedra, e ao longe<br>\n\u201cDo novo rio a barra assinalando<br>\n\u201cNiter\u00f3i lembrar\u00e1s aos c\u00e9us e ao mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cMist\u00e9rio novo e grande eu vejo e admiro;<br>\n\u201cBrilhantes feitos surgem refulgindo<br>\n\u201cDas Urnas, que inda o Fado aos homens veda,<br>\n\u201cRompem quilhas soberbas negros mares<br>\n\u201cPasmosa marcha endere\u00e7ando afoitas;<br>\n\u201cDomada a f\u00faria aos Euros, lusos fortes,<br>\n\u201cNos c\u00e9us pregada a vista, e as m\u00e3os no leme,<br>\n\u201cD\u2019aurora ao ber\u00e7o imp\u00e1vidos proejam;<br>\n\u201cEis s\u00fabita procela o Fado excita<br>\n\u201cPropicia e rija os lenhos empuxando<br>\n\u201c\u00c0 nova plaga e oculta; eu ou\u00e7o, eu ou\u00e7o<br>\n\u201cO alegre som dos vivas com que arvora<br>\n\u201cSobre as praias Cabral, a cruz e as quinas.<br>\n\u201c(A cruz, que \u00e0 plaga d\u00e1 virtude e nome,<br>\n\u201cNome, que atra ambi\u00e7\u00e3o trocando, vive<br>\n\u201cNos penedos, que \u00e0 destra o rio apertam<br>\n\u201cDesta abra ingente, que alta gl\u00f3ria espera.)<br>\n\u201cLobriga Marte a l\u00facida grandeza,<br>\n\u201cQue do imigo o recinto abrilhantando,<br>\n\u201cDa vit\u00f3ria o valor lhe abate e a fama;<br>\n\u201cEis pronto, Alectri\u00e3o mandado espreita,<br>\n\u201cDo verde lago em meio, em torre erguida,<br>\n\u201cO mar, a terra, e as brenhas; mas que pode<br>\n\u201cDa vingan\u00e7a o furor, se o Fado \u00e9 contra?<br>\n\u201cMem de S\u00e1 daqui surge, \u00e9 fogo, e raio;<br>\n\u201cDesmantela-se a torre, o galo escapa;<br>\n\u201cL\u00e1 cresce a gr\u00e3 cidade, que nas \u00e1guas<br>\n\u201cDo famoso gigante retratada,<br>\n\u201cDe altos montes as fraldas borda, e as praias.<br>\n\u201cDe um jovem bravo e santo o nome aceita,<br>\n\u201cSem perder o de rio ao lago imposto;<br>\n\u201cAqui se ostenta pr\u00f3vida a natura,<br>\n\u201cTesouros novos de alto pre\u00e7o abrindo<br>\n\u201cNo florido matiz do campo e selva.<br>\n\u201cAqui do inverno a r\u00edspida melena<br>\n\u201cN\u00e3o sacode a saraiva, a neve, e o gelo.<br>\n\u201cDe eterna pompa as \u00e1rvores se arreiam,<br>\n\u201cPomos e flores de seus ramos pendem<br>\n\u201cQuais nunca o horto hesp\u00e9rido guardara.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c\u00d3 como avulta em gl\u00f3ria! \u00d3 como a ilustram<br>\n\u201cHeroicos filhos, que o seu gr\u00eamio adornam?<br>\n\u201cNem s\u00f3 Roma ver\u00e1 Sulp\u00edcios nobres<br>\n\u201cComprando a gr\u00e3 cidade a peso de ouro,<br>\n\u201cQue de Breno a ambi\u00e7\u00e3o e a espada agravam.<br>\n\u201cA mesma ingente gl\u00f3ria, que assinala<br>\n\u201cDe R\u00f4mulo o sepulcro ilustra e marca<br>\n\u201cAs auriverdes niteroicas \u00e1guas,<br>\n\u201cDa p\u00e1tria e da na\u00e7\u00e3o o amor floresce<br>\n\u201cDo rio sobre as margens; ah! s\u00e3o lusos<br>\n\u201cDe antigo tronco ramos, que prosperam<br>\n\u201cSem perder a virtude, a for\u00e7a e o brio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c\u00d3 como avulta em gloria! \u00d3 como a ilustram<br>\n\u201cDo seu governo as redes manejando,<br>\n\u201cIncans\u00e1veis Andrades! Cunhas duros!<br>\n\u201cTu, pacato Rolim! ativo Almeida,<br>\n\u201cQue mais amplo poder regendo elevas<br>\n\u201cA cultura, o com\u00e9rcio, as armas, tudo<br>\n\u201cA um lustre, que o teu nome aclara e afama.<br>\n\u201cNem cede em zelo um Vasconcellos destro,<br>\n\u201cQue o v\u00edcio espanca, e as artes acolhendo,<br>\n\u201cAnima o g\u00eanio, que eterniza a gl\u00f3ria<br>\n\u201cDa florente cidade. Um Castro eu vejo<br>\n\u201cMelanc\u00f3lico e forte. Um s\u00e1bio admiro<br>\n\u201cDo rei, da p\u00e1tria, amigo; esteio adorno<br>\n\u201cDo trono e da na\u00e7\u00e3o; tesouro excelso<br>\n\u201cDe virtudes sublimes; que ama o s\u00e1bio,<br>\n\u201cO justo abra\u00e7a, Portugal seu nome<br>\n\u201cNa lembran\u00e7a dos bons fulgura e vive.<br>\n\u201cTu guerreiro Noronha as r\u00e9deas tomas,<br>\n\u201cPrudente, firme, e prosseguindo ostentas<br>\n\u201cSaber profundo, amor, virtude, e g\u00eanio.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201c\u00d3 como avulta em gl\u00f3ria! Ah! novos Fastos<br>\n\u201cDo filho teu, Atl\u00e2ntida enobrecem<br>\n\u201cNo mundo, o lago, que hoje oculto admiras.<br>\n\u201cDias mais belos no porvir se antolham,<br>\n\u201cE o Fado aponta um s\u00e9culo ditoso,<br>\n\u201cEm que a el\u00edsia disputa a fama o rio.<br>\n\u201cEis amplo assento e base de \u00e1ureo Trono,<br>\n\u201cQue escoltam sempre l\u00facidas virtudes;<br>\n\u201cAqui medra e floresce em for\u00e7a em gl\u00f3ria<br>\n\u201cEsse tronco, que o c\u00e9u plantara outrora<br>\n\u201cNo heroico solo em que troveja a guerra.<br>\n\u201cJ\u00e1 dentre as m\u00e3os de um P\u00e9lias, que empolgava<br>\n\u201cNova Iolcos no Tejo astuto e forte,<br>\n\u201cUm mais nobre Jas\u00e3o mais s\u00e1bio escapa.<br>\n\u201cPerdendo o nome, ao Rio inveja Colchos<br>\n\u201cVar\u00e3o mais digno de \u00e1urea fama; surge<br>\n\u201cDas negras m\u00e3os de horrenda tempestade<br>\n\u201cUm dia, que do mundo a sorte muda.<br>\n\u201cSalve, \u00f3 dia feliz! ditoso dia,<br>\n\u201cQue mais ampla carreira ao g\u00eanio abrindo,<br>\n\u201cNo velho mundo o esfor\u00e7o despertando,<br>\n\u201cA paz do globo pr\u00f3xima asseguras.<br>\n\u201cSalve, Pr\u00edncipe Excelso, que abrilhantas<br>\n\u201cCom justo cetro e c\u2019roa, a plaga e o lago,<br>\n\u201cEm que hoje o Fado o teu poder me inculca.<br>\n\u201cEternizam-te o nome a hist\u00f3ria a fama,<br>\n\u201c\u00c9poca ilustre assinalando aos povos<br>\n\u201cNo vasto e rico imp\u00e9rio, que ergues s\u00e1bio.<br>\n\u201cVejo as quinas, que ao Indo, e ao Ganges davam<br>\n\u201cTerror, desmaio, floreando ovantes<br>\n\u201cDas naus dos Albuquerques, Castros, Gamas,<br>\n\u201cSublimadas na esfera, agora dando<br>\n\u201cDo novo Reino Brasileiro o ind\u00edcio.<br>\n\u201cVejo um Rei aclamar-se, \u00f3 pasmo! \u00f3 gl\u00f3ria!<br>\n\u201cSer\u00e3o de Ourique os campos estas margens,<br>\n\u201cQue s\u00f3 Natura esmalta agora e veste?<br>\n\u201cRevive Afonso acaso! \u00c9 este o Tejo?<br>\n\u201c\u00c9 este o luso her\u00f3i, que um trono funda<br>\n\u201cSem dos evos temer o estrago, e a for\u00e7a?<br>\n\u201cFulgura o c\u00e9u de Ourique; a cruz se adora<br>\n\u201cDe \u00edgneos raios vestida, santa, e bela.<br>\n\u201cDa alta noite rompendo o v\u00e9u nubloso,<br>\n\u201cReflete a luz nas Armas Lusitanas.<br>\n\u201cCerrados esquadr\u00f5es desmaiam fogem<br>\n\u201cEclipsadas as luas, cresce o esfor\u00e7o<br>\n\u201cQue o novo Reino Portugu\u00eas eleva,<br>\n\u201cFerindo o escudo e as armas mil guerreiros<br>\n\u201cL\u00e1 sa\u00fadam Monarca Afonso, o invicto,<br>\n\u201cQue o c\u00e9u protege, e a terra admira e aclama,<br>\n\u201cAusp\u00edcio igual aqui respeita o Rio;<br>\n\u201cLuminoso Cruzeiro ao Sul refulge,<br>\n\u201cDo novo Reino a gl\u00f3ria eternizando,<br>\n\u201cQue um Pr\u00edncipe esfor\u00e7ado assenta e afirma,<br>\n\u201cCingindo a c\u2019roa e a p\u00farpura, que adornam<br>\n\u201cEternos brilhos de virtude avita.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cAO GRANDE, AO SEXTO JO\u00c3O, que nesta plaga<br>\n\u201cPrimeiro ao r\u00e9gio trono sobe, o mundo<br>\n\u201cErguendo as vistas respeitoso acata:<br>\n\u201cNiter\u00f3i, Niter\u00f3i, um trono, um reino,<br>\n\u201cQue a cruz defende, e um s\u00e1bio escora, e afama,<br>\n\u201cDo lago teu nas margens brilha, e cresce.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">\u201cVejo a gl\u00f3ria esmaltando a estirpe augusta<br>\n\u201cDo r\u00e9gio bragantino e excelso tronco;<br>\n\u201cNova estrela enriquece o c\u00e9u do Rio,<br>\n\u201cT\u00e3o bela como a d\u2019Alva, t\u00e3o formosa,<br>\n\u201cComo a gema engastada em ouro ou prata.<br>\n\u201cDo mar desponta, \u00e9 V\u00eanus, e os Amores<br>\n\u201cEm torno brincam, do Dan\u00fabio a seguem;<br>\n\u201cJ\u00e1 dum Pr\u00edncipe Heroico aos bra\u00e7os chega,<br>\n\u201cE o c\u00e9u, que os liga de himeneu com os la\u00e7os,<br>\n\u201cEm rec\u00edproco Amor, em grato auspicio,<br>\n\u201cPerdur\u00e1vel grandeza ao Rio augura.<br>\n\u201cNem me oculta o futuro ou fado arcanos,<br>\n\u201cQue a mente em santo fogo ardendo anseiam;<br>\n\u201cProspera, \u00f3 par ditoso! Exulta, \u00f3 plaga,<br>\n\u201cQue o c\u00e9u de b\u00ean\u00e7\u00e3os enriquece e exalta!<br>\n\u201cClar\u00e3o de eterna gl\u00f3ria os evos doura,<br>\n\u201cDespontam mais brilhantes novos dias,<br>\n\u201cMarcando a cruz a dura\u00e7\u00e3o, que escapa<br>\n\u201cAos frouxos olhos de indagar cansados.<br>\n\u201cPenhor augusto vejo, acato, e admiro!<br>\n\u201cTernura conjugal o afaga, o abra\u00e7a;<br>\n\u201cNas faces brincam risos, sobre o ber\u00e7o<br>\n\u201cAdejam votos do Brasil, do mundo;<br>\n\u201cTraz no sangue de her\u00f3is virtude e gra\u00e7a;<br>\n\u201cLamego o Cetro de seus pais lhe of\u2019rece,<br>\n\u201cConcentra a gl\u00f3ria de Bragan\u00e7a e de \u00c1ustria.<br>\n\u201cNunca ao sol, que desponta a linda rosa<br>\n\u201cDentre as flores, que esmaltam prado ou selva<br>\n\u201cDo cerrado bot\u00e3o rompeu t\u00e3o bela;<br>\n\u201cNunca, Atl\u00e2ntida, estrela igual fulgindo,<br>\n\u201cNas frescas \u00e1guas do Dan\u00fabio ou Tejo,<br>\n\u201cDos povos mor aplauso obteve; exulta.\u201d<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Tremeu de novo a terra e o mar; Netuno<br> A Glauco imp\u00f5e sil\u00eancio, ao ar levanta<br> O gr\u00e3 tridente, abismam\u00adse as Nereidas;<br> E a m\u00e3e de Niter\u00f3i ao coro unida<br> \u00c9 nos mares por deusa conhecida.<\/p>\n\n\n\n<div class=\"wp-block-group\"><div class=\"wp-block-group__inner-container is-layout-flow wp-block-group-is-layout-flow\">\n<hr class=\"wp-block-separator has-text-color has-background has-very-dark-gray-background-color has-very-dark-gray-color\" \/>\n<\/div><\/div>\n\n\n\n<p><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\">BARBOSA, Januario da Cunha. Nicteroy: Metamorphose do Rio de Janeiro. Composta e Anotada por Januario da Cunha Barbosa. Londres: R. Greenlaw, 1822. <em>Ortografia atualizada por Beethoven Alvarez. <\/em>Dispon\u00edvel em:  <a href=\"http:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/nicteroi\">http:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/niteroi<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-small-font-size\"> Publicado em agosto\/2013. Atualizado em maio\/2020. <\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>NITER\u00d3I: METAMORFOSE DO RIO DE JANEIRO Ortografia atualizada Nos bra\u00e7os maternais, nascido apenas, Jazia Niter\u00f3i, sat\u00farnea prole, Quando Mimas seu pai, gigante enorme, Que ao c\u00e9u com m\u00e3o soberba arremessara A flam\u00edgera Lemnos, arrancada Dos mares no furor de guerra impia, Tingiu de sangue as \u00e1guas, salpicando De seu c\u00e9rebro o Ossa, o Olimpo e [&hellip;]<\/p>\n","protected":false},"author":59,"featured_media":0,"parent":0,"menu_order":0,"comment_status":"closed","ping_status":"closed","template":"","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[],"tags":[],"class_list":["post-322","page","type-page","status-publish","hentry"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/322","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/pages"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/types\/page"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/users\/59"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=322"}],"version-history":[{"count":10,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/322\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":334,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/pages\/322\/revisions\/334"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=322"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=322"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/beethoven\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=322"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}