Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 21 dez 2025
Entre os dias 8 e 12 de dezembro de 2025, participei do 9º Congresso Pan-Africano, realizado em Lomé, capital da República do Togo. O evento foi organizado sob a égide da União Africana, em parceria com o Governo togolês, e reuniu representantes de Estados africanos, organismos multilaterais, pesquisadores, intelectuais, movimentos sociais e lideranças das diásporas africanas das Américas, Caribe, Europa e Ásia.
Minha participação ocorreu como integrante da delegação brasileira oficialmente convidada, cuja composição e articulação institucional estiveram sob a coordenação do Prof. Dr. Babalawo Ivanir dos Santos, responsável pela interlocução com o comitê organizador do Congresso e com as autoridades togolesas. As despesas de deslocamento e estadia dos participantes convidados foram custeadas pelo Governo da República do Togo, no âmbito da política de fortalecimento do diálogo pan-africano e das relações com a diáspora.
O 9º Congresso Pan-Africano teve como tema “A renovação do pan-africanismo e o papel da África na reforma das instituições multilaterais: mobilizar recursos e reinventar-se para agir”, sinalizando um esforço coletivo de reposicionamento do pan-africanismo como projeto político contemporâneo, articulado às transformações do sistema internacional no século XXI.
A programação foi estruturada em sessões plenárias, painéis temáticos, encontros com a juventude pan-africana e oito comissões de trabalho, que abordaram, entre outros temas:
Além dos debates acadêmicos e políticos, o Congresso incluiu atividades culturais e sessões dedicadas à memória da escravidão, da colonização e das lutas de libertação africanas, reforçando a centralidade da história e da memória na construção de projetos políticos contemporâneos.
Um dos principais resultados do evento foi a Declaração Final do 9º Congresso Pan-Africano de Lomé, documento político que sistematiza consensos e recomendações estratégicas aprovadas ao término dos trabalhos.
A Declaração reafirma o pan-africanismo como projeto de unidade, soberania e emancipação, destacando:
O documento propõe ainda a criação de mecanismos permanentes de acompanhamento das decisões do Congresso, reforçando o caráter programático e institucional da iniciativa.
A participação no 9º Congresso Pan-Africano dialoga diretamente com minhas pesquisas no campo da História da África, da História da Ciência e da Saúde, das relações étnico-raciais, da memória da escravidão e das políticas de reparação. Os debates sobre saúde, segurança alimentar e heranças coloniais reforçam a importância de abordagens interdisciplinares que articulem história, saúde pública, direitos humanos e relações internacionais.
O Congresso evidenciou, ainda, a necessidade de ampliar a inserção do Brasil, país com a maior população afrodescendente fora do continente africano, nas agendas pan-africanas contemporâneas, tanto no campo acadêmico quanto no âmbito das políticas públicas e da cooperação internacional.
O 9º Congresso Pan-Africano consolidou-se como um espaço estratégico de articulação política, intelectual e institucional, reafirmando o pan-africanismo como projeto ativo de reflexão e ação no mundo contemporâneo. A missão acadêmica realizada em Lomé contribui para o fortalecimento das redes internacionais de pesquisa, para a internacionalização da universidade pública brasileira e para o aprofundamento dos debates sobre África, diáspora, memória, saúde e justiça social.
Como desdobramentos desta participação, destacam-se a produção de relatórios técnicos, artigos acadêmicos, atividades de ensino e extensão, bem como a ampliação do diálogo entre a Universidade Federal Fluminense e redes internacionais de pesquisa no campo dos estudos africanos e pan-africanos.
📄 O relatório acadêmico completo está disponível em formato PDF:
https://www.researchgate.net/publication/398928215_Participacao_no_9_Congresso_Pan-Africano_-Lome_Togo_08_a_12_de_dezembro_de_2025

Delegação brasileira, no retorno ao Brasil

Introdução O Cemitério dos Pretos Novos, localizado na atual Rua Pedro Ernesto, na Zona Portuária do Rio de Janeiro, representa um dos capítulos mais dolorosos — e, por muito tempo, esquecidos — da história brasileira. Entre 1769 e 1830, o local serviu como destino final de milhares de africanos escravizados que morriam logo após o…

Materia de: https://www.uff.br/28-02-2025/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira/ “No Carnaval de 2025, a Estação Primeira de Mangueira apresenta, na Marquês de Sapucaí, um enredo que mergulha na história e na resistência do povo negro no Brasil. Com o título “À Flor da Terra – no Rio da Negritude entre Dores e Paixões”, a escola de samba vai contar a narrativa…

Hoje foi ao ar, no canal da @oficialmangueira no YouTube, a entrevista em que compartilho a emoção de ver meu livro À Flor da Terra: O Cemitério dos Pretos Novos ganhar vida no enredo do Carnaval 2025! 🎭✨ O Cemitério dos Pretos Novos é mais do que um registro de dor — é um território…
https://www.uff.br/evento/a-flor-da-terra-enredo-da-mangueira-2025-inspira-se-na-pesquisa-de-professor-da-uff-do-campus-de-santo-antonio-de-padua/

Jardim Botânico do Rio de Janeiro inaugura, nesta sexta-feira (29/11), o Memorial das Mãos Negras que Edificaram o Jardim Botânico do Rio de Janeiro. A iniciativa tem como objetivo trazer ao conhecimento do público uma parte da história até então silenciada: a contribuição fundamental de homens e mulheres negros na edificação da instituição. A cerimônia…

Sinopse feita para o Afoxé Filhos de Gandhi, 2025

O Cais do Valongo e a Pequena África são marcos fundamentais na história afro-brasileira e símbolos de resistência. Como principal ponto de desembarque de africanos escravizados, o Valongo testemunhou a chegada de milhões de africanos ao Brasil, deixando uma herança cultural profunda. A Pequena África, surgida ao redor do Valongo, tornou-se um vibrante centro cultural,…

Na segunda aula do curso de extensão “A saga dos pretos novos”, mergulharemos profundamente na análise do tráfico atlântico de escravos, focando especificamente nas experiências e nas condições enfrentadas por homens e mulheres nesse contexto histórico. Abordaremos a temática sob a ótica da desigualdade de gênero, destacando as distintas realidades vivenciadas por cada um dos…

Para criar as hipóteses de um projeto de pesquisa, é importante seguir algumas diretrizes: Revisão da literatura: Antes de formular as hipóteses, é essencial realizar uma revisão completa da literatura sobre o tema de pesquisa. Isso ajudará a identificar lacunas no conhecimento existente e a compreender as teorias, estudos e evidências disponíveis. Identificar variáveis: Com…

A mudança climática é um dos desafios mais prementes que a humanidade enfrenta. O aumento das concentrações de gases de efeito estufa na atmosfera devido às atividades humanas está causando um aquecimento global sem precedentes, com consequências potencialmente catastróficas para o meio ambiente e a vida humana. Do aumento do nível do mar à intensificação…

A elaboração do projeto exige atenção a algumas etapas fundamentais, tais como a definição do tema, a revisão de literatura, a metodologia e o cronograma. O presente trabalho tem como objetivo apresentar algumas dicas para auxiliar na elaboração de um projeto de pesquisa para o ingresso em um programa de mestrado stricto sensu. Vamos lá?

Desde criança sempre fiquei intrigado com o céu e as suas estrelas. Ficava horas por noite a olhar o brilho dos seres celestes refletindo no escuro céu azul. Pontos brancos refletindo ao longe. Saber que estão a milhares de anos luz daqui, mais tarde, me deixou ainda mais confuso. Talvez tão intrigado quanto os cientistas…

Acompanhar as revistas científicas é uma das melhores maneiras de garantir isso e expandir o seu conhecimento

Os bestializados e a república que não foi, livro objeto desta resenha, se tornou um clássico da historiografia brasileira, no qual o autor analisa o quadro de instauração do novo regime, a República.

Pessoal, compartilhando com vocês meu novo vídeo sobre o conflito no Leste Europeu, envolvendo a Rússia e a Ucrânia, espero que gostem. Deixem seus comentários, joinhas e se inscrevam no canal Qual o motivo da guerra entre Rússia e Ucrânia? A Rússia, que enviou 150.000 soldados à fronteira com a Ucrânia, exige que o país…

Carolina de Jesus foi uma das primeiras escritoras negras do Brasil e é considerada uma das mais importantes escritoras do país. Assista a parte final, da sua obra: Quarto de Despejo

Neste breve artigo, farei um breve resumo da obra, para aqueles que quiserem conhecer mais o trabalho deixando minhas impressões e comentários, que poderão ser uteis aqueles de alguma forma, como algum tipo de apontamento.
O Imperialismo é o nome dado para o conjunto de políticas que teve como objetivo promover a expansão territorial, econômica e/ou cultural de um país sobre outros. Assista neste vídeo as bases deste sistema econômico, politico e social que dominou o mundo.
O Brasil completa hoje 133 anos de abolição. Nesta data, a Princesa Isabel assinava a chamada Lei Áurea que extinguia a escravidão no Brasil, no entanto, na prática pouca coisa mudou em relação aos milhares de escravizados trazidos de África e seus descendentes em relação ao racismo, ao preconceito e à cidadania plena. Ainda precisamos…
Filmes que lidam com a temática negra, no Oscar 2021

Many years ago, in the African continent, millions of Africans were brought to other countries within the condition of slavery, from which came the origin of the African Diaspora. Nearly 10 million of the African slaves were brought to the Americas. Of these 10 million, 6 million were brought to Brazil to labor in sugarcane…

Esta revolução foi resultado do descontentamento da população com os privilégios da nobreza, do clero e da alta burguesia.

Neste episódio, Júlio César bate um papo com o professor Silas Fiorotti sobre Arte Africana, a partir da obra “Arte Africana” do autor Frank Willett. Falamos sobre a conceituação “primitivo” e os principais aspectos da Arte Africana. Vale à pena conferir! (Trabalho produzido pelo prof. Júlio César, dentro do projeto Trama, do Núcleo de Pesquisa…

A Independência dos Estados Unidos é considerada a primeira revolução americana. A segunda foi a Guerra de Secessão. As treze colônias inglesas da América formaram-se lentamente a partir do século XVII. Nos fins do século XVIII ocupavam uma faixa litorânea que ia do Atlântico até os contrafortes dos Aleghanis. As colônias…
https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/12/07/cientista-abastece-pesquisas-de-covid-mas-diz-temer-mesmo-ida-ao-mercado.htm

Artigo que discute as permanencias e mudanças do pensamentos nazista e fascista, nos dias de hoje.

A Inglaterra alargou sua expansão imperial ao longo do século XIX, devido ao seu grande poderio marítimo baseado no “domínio dos mares”, ou seja, uma visão do mar como uma possível rota comercial. Esta antiga visão, deita origens no inicio do reinado da Dinastia Tudor e se consolidou como uma politica bem sucedida que culminou…

Kennet Maxwll descreve o encontro entre a cultura européia e a ameríndia e a morte e o sofrimento trazidos no Velho Mundo
O Prof. Dr. Júlio César Medeiros, no projeto ” Em perspectiva”, promovido pelo Núcleo de Pesquisa Sankofa-UFF, rno LAPEH, recebem o Arqueólogo Reinaldo Tavares (IPN) para falar sobre novas perspectivas em relação ao desembarque de escravizados no Rio de Janeiro.
Núcleo de Pesquisa SANKOFA: Relações étnico raciais, memória, cidadania e Direitos Humanos. Canal em o SANKOFA trata sobre diversas temáticas relativas aos temas da história, Diretos Humanos, Negregritude, Africanidade e escravismo

O liberalismo econômico ou liberalismo económico é uma ideologia baseada na organização da economia em linhas individualistas, rejeitando intervencionismo estatal, o que significa que o maior número possível de decisões econômicas são tomadas pelas empresas e indivíduos e não pelo Estado ou por organizações coletivas. Mas quais seriam as contradições de um sistema no qual…

A Revolução Industrial nada mais foi que uma profunda mudança tecnológica no meio de produção da sociedade inglesa que a partir daí dar-se inicio a uma nova relação entre o termo que surge chamado de capital e o modo de produção que foi implementado. A principal mudança se deu no meio agrícola onde a agricultura…

(Prof. Júlio César Medeiros da Silva Pereira Índice 1. A Revolução Francesa 2. Datas e fatos marcantes 3. Texto complementar 4. Exercícios resolvidos 5. Exercícios propostos 6. Exercícios de Concursos 7. Gabarito 8. Bibliografia A Revolução Francesa foi, historicamente, o acontecimento mais importante do período Moderno. Ela faz parte de um movimento global que…

O Brasil completa hoje 133 anos de abolição. Nesta data, a Princesa Isabel assinava a chamada Lei Áurea que extinguia a escravidão no Brasil, no entanto, na prática pouca coisa mudou em relação aos milhares de escravizados trazidos de África e seus descendentes em relação ao racismo, ao preconceito e à cidadania plena.

Em dezembro de 2025, participei como integrante da delegação brasileira oficialmente convidada do 9º Congresso Pan-Africano, realizado em Lomé, na República do Togo. O evento, organizado sob a égide da União Africana e com apoio do Governo togolês, reuniu lideranças políticas, pesquisadores e intelectuais para debater a renovação do pan-africanismo e o futuro das instituições…
Por Prof. Dr. Júlio César Medeiros da Silva Pereira Quando escrevi À Flor da Terra, eu não imaginava que aquele trabalho — nascido de uma pesquisa de mestrado, orientada pelo professor José Murilo de Carvalho, na Universidade Federal do Rio de Janeiro — se tornaria parte da memória pública da cidade. O livro nasceu de…
Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 22 fev 2025

Hoje foi ao ar, no canal da @oficialmangueira no YouTube, a entrevista em que compartilho a emoção de ver meu livro À Flor da Terra: O Cemitério dos Pretos Novos ganhar vida no enredo do Carnaval 2025! 🎭✨
O Cemitério dos Pretos Novos é mais do que um registro de dor — é um território sagrado da memória africana no Brasil. Ali, onde tantos corpos foram sepultados sem voz, a cultura Banto resiste em cada fragmento, revelando histórias de luta, espiritualidade e ancestralidade. Transformar essa história em samba é dar voz ao que ficou à flor da terra, permitindo que a Sapucaí se torne palco de uma profunda reflexão sobre memória e resistência.
Meu sincero agradecimento à Mangueira, que mais uma vez mostra seu compromisso com as histórias invisibilizadas, e ao talentoso carnavalesco @sidney_franca , cuja sensibilidade e criatividade trouxeram essa narrativa à luz e deu vida a um enrredo fantástico que homenageia a cultura banto de forma magistral.
Confira a entrevista completa no YouTube pelo link a baixo:
Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 11 dez 2024
O Bloco Carnavalesco Filhos de Gandhi apresenta, com orgulho, como temática para o carnaval de 2025 a emblemática Revolta dos Malês, um marco indelével da resistência negra no Brasil, que ecoa até os dias de hoje. O desfile deste ano não se limita a celebrar a história de luta e bravura dos africanos muçulmanos que se insurgiram contra a opressão escravista; é um tributo à memória daqueles que, com coragem e fé, desafiaram o sistema que os aprisionava.

Em um ritmo pulsa que vibra nas batidas da nossa ancestralidade, o enredo traça paralelos entre luta pela liberdade, pela preservação cultural e espiritual da época e os desafios que o próprio bloco, bem como o nosso povo preto tem enfrentado em uma sociedade cada vez mais injusta. Cada passo dado na avenida reverberará a luta contínua pela dignidade e pelo reconhecimento, enquanto a história se entrelaça com o presente, nos lembrando que, o apagamento histórico social não passará incólume diante da nossa manifestação cultural.
Através dessa escolha temática, o Bloco Filhos de Gandhi reafirma seu compromisso em manter viva a chama da herança afro-brasileira, um fogo que brilha intensamente em meio às intempéries e obstáculos que as organizações que defendem a cultura popular, especialmente a de nosso povo negro, enfrentam. Em cada canto, em cada sorriso, se revela a força de um legado que se recusa a ser silenciado, um eco de resistência que se levanta contra o esquecimento, prometendo que a luta por justiça e liberdade nunca cessará.
Neste carnaval, ao desfilarem, os integrantes do Bloco Filhos de Gandhi não apenas celebram um passado glorioso, mas também escrevem novas páginas na história, relembrando que a resistência é uma herança que transcende gerações e que o legado dos Malês vive nas veias de cada um que se levanta, unindo-se em um só grito de liberdade e esperança.
Fundado em meio ao contexto cultural da Pequena África, o Bloco Afoxé Filhos de Gandhi possui uma trajetória marcada pela resistência e preservação da memória ancestrálica, o que o torna um guardião das tradições africanas em território carioca. O enredo de 2025 busca homenagear a Revolta dos Malês, revisitando a história de africanos muçulmanos, originários de sociedades islâmicas da África Ocidental, que foram trazidos ao Brasil pelo infame comércio do tráfico negreiro. Esses homens e mulheres, conhecidos por sua profunda fé e organização social, mantinham práticas religiosas, como a leitura do Alcorão e o uso do árabe como idioma de resistência, que se tornaram centrais para a organização da insurreição.
A escolha desse tema para o desfile de 2025 reflete a própria história do Bloco Afoxé Filhos de Gandhi, que, tal como os Malês, luta pela preservação de sua identidade cultural em meio a adversidades. Assim como os Malês enfrentaram o apagamento de suas práticas culturais e religiosas sob o jugo da escravidão, o bloco Afoxé Filhos de Gandhi inspirado no Ijexá Filhos de Gandhy, bloco carnavalesco criado em Salvador, dois anos antes e que se apresentava tocando o ijexá, e entoando na língua iorubá, iniciou sua organização em torno de componentes que moravam afastados do perímetro urbano, provenientes das camadas mais pobres e subalternizadas da população. Seus integrantes moravam majoritariamente em bairros afastados da área central da cidade, sobtudo, oriundos das camadas populares mais pobres e marginalizadas da população carioca que, enfrentaram sucessivos processo de apagamento histórico, tal como os escravizados Malês, com garra e resistência.
A Revolta dos Malês, um levante minuciosamente planejado e inspirado pos escravizados islâmicos, demonstrou o poder de uma comunidade organizada em torno de sua identidade cultural e espiritual. “malês” que no idioma Iorubá significa muçulmano, contava com cerca de 600 africanos escravizados, cujos lideres Ahuna; Dassalu; Gustar; Pacífico Licutan; Sule ou Nicobé; Manoel Calafete (escravizado liberto); Elesbão do Carmo e Luís Sanim; haviam combinado para que a revolta se desse no final do Ramadã, mês sagrado para os muçulmanos que marcava “Lailat al-Qadr”, a festa da Noite da Glória — ocasião que entrou para a história como o dia da revelação do Corão a para Muhammad (Maomé), o profeta do islamismo.
Organizados em torno de seus ideais de liberdade, irrompeu na madrugada do dia 25 de janeiro de 1835, como um clamor audacioso contra a opressão escravagista, tragicamente frustrado quando a trama de seus protagonistas foi denunciada, fazendo desmoronar todo um plano cuidadosamente elaborado. Esses valentes escravizados urbanos, que desfrutavam de uma relativa liberdade de locomoção, sonharam com um futuro onde poderiam resgatar e preservar sua dignidade e identidade.
O espírito islâmico permeava a revolta, manifestando-se nos abadás brancos que adornavam os corpos dos revoltosos, um traje emblemático da tradição muçulmana. Muitos deles traziam consigo amuletos que continham passagens do Alcorão escritas em árabe, objetos que acreditavam conferir-lhes proteção contra os horrores da repressão. Assim, cada elemento da vestimenta e cada amuleto carregavam a esperança de um renascimento cultural e espiritual.
As ruas de Salvador se tornaram o palco de intensos combates, que ecoaram por horas a fio, onde a bravura e a determinação desses africanos se confrontaram com a brutalidade das forças opressoras. O trágico resultado levou à morte de 70 homens e mulheres que lutavam por suas vidas e liberdade, além de nove integrantes das forças que se opuseram a eles. A batalha final ocorreu em um local marcado pela história, conhecido como Água de Meninos, onde muitos, encurralados, buscaram a salvação nas águas do mar, apenas para encontrarem a morte em suas profundezas.
A Revolta dos Malês, mesmo em seu trágico fracasso, é um testemunho da coragem e do anseio por liberdade, uma chama que ainda ressoa nas almas de todos aqueles que lutam contra a opressão e pela dignidade.
As punições desferidas contra os envolvidos na Revolta dos Malês foram implacáveis, estendendo-se até mesmo aos libertos que, de alguma forma, não participaram da insurreição. Os castigos foram severos e implacáveis: prisão, açoites, deportação e execução tornaram-se o trágico destino dos revoltosos. Quatro deles, Jorge da Cruz Barbosa (Ajahi), Pedro, Gonçalo e Joaquim, foram condenados à morte e executados por fuzilamento, símbolos da coragem que se ergueu contra a opressão, mas que encontrou na brutalidade do sistema escravista, sua cruel punição. Jamais o poder instituído deixaria passar em branco, os pretos africanos e crioulos que ousavam sonhar com a tão desejada liberdade.
Esse levante ousado, embora tenha sido reprimido, contribuiu para intensificar a repressão sobre a população de escravizados e libertos em Salvador, gerando um clima de medo e desconfiança. Uma lei aprovada naquele ano determinava que todos os africanos e descendentes suspeitos de envolvimento em revoltas seriam deportados de volta ao continente africano. Estatísticas revelaram que milhares de negros foram enviados de volta à África, uma ação que revelava o desespero dos senhores de escravos diante da possibilidade de uma revolução que ecoasse os ecos da Revolução Haitiana.
Imbuídos deste mesmo espirito de luta, o Bloco Afoxé Filhos de Gandhi se ergue anualmente, dançando nas ruas da Pequena África, onde a memória ancestral pulsa com força. Em meio a adversidades, reafirma seu compromisso com a herança cultural e entoa um poderoso canto de liberdade. O enredo de 2025, ao lembrar a coragem indomável dos Malês, exalta a importância da transmissão cultural e da organização do povo preto, como faróis de resistência que iluminam o caminho em tempos de incertezas.
Como os Malês, que mantiveram viva sua fé e identidade em meio à opressão, o bloco reverencia, com seus atabaques e tamborins, a ancestralidade africana e suas diversas manifestações. Ele resiste ao apagamento cultural, enfrentando o peso do tempo e os desafios econômicos, transformando cada nota musical em um ato de afirmação.
O desfile de 2025 promete ser uma celebração da resiliência cultural, um hino à bravura. Tal como os Malês enfrentaram a repressão colonial com coragem e união, o bloco, em sua trajetória pelas vibrantes ruas do Rio de Janeiro, carrega o legado de resistência, desafiando a invisibilidade social e os obstáculos estruturais que tentam silenciá-lo.
Em cada batida de tambor e em cada marcação do surdo tocado, em cada canto entoado, o bloco será a voz dos Malês revividos, cuja memória jamais será esquecida e, em seu ritmo imponente, lembrando todos os agentes do apagamento histórico sofrido pelo povo negro, que o Haiti ainda é logo ali. O povo preto, agora se organiza, se levanta e luta. Salta o canto na avenida e reafirma o seu lugar de direito na sociedade e na história.
Autor: Júlio César Medeiros da Silva Pereira
Prof. Dr. em História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense e pesquisa dos do instituto de Memória e Pesquisa Pretos Novos.
Membro do Comitê Cientifico do Cais do Valongo
Membro do Comitê Consultivo do Memorial Mãos Negras (Jardim Botânico)
Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 15 set 2023
Prof. Júlio César Medeiros da S. Pereira
Resumo
A leitura de obras de autores como Bell Hooks, Frantz Fanon, Aimé Césaire, Silvio Almeida, Cida Bento, Eliane dos Santos Cavalleiro, Nilma Lino Gomes, Petronilha Beatriz Gonçalves, Kabengele Munanga e A. Bembe é essencial para o aprofundamento das questões raciais e de gênero e para a promoção da justiça social. Este ensaio examina a contribuição acadêmica de cada autor e suas respectivas obras, destacando como suas análises críticas têm enriquecido o debate acadêmico e social em prol de uma educação anti-racista. As citações a seguir ressaltam as ideias-chave de cada autor.
Introdução
A contribuição de autores para uma educação anti-racista desempenha um papel fundamental na construção de uma sociedade mais justa e igualitária (Hooks, 1981). Para enriquecer esse debate e promover uma compreensão mais profunda desses temas, a leitura das obras de autores renomados se torna imperativa. Neste ensaio, exploraremos a contribuição acadêmica de autores como Bell Hooks, Frantz Fanon, Aimé Césaire, Silvio Almeida, Cida Bento, Eliane dos Santos Cavalleiro, Nilma Lino Gomes, Petronilha Beatriz Gonçalves, Kabengele Munanga e A. Bembe. Analisaremos suas obras e discutiremos como elas têm influenciado o pensamento crítico em relação à promoção de uma educação anti-racista.
Desenvolvimento
Bell Hooks: Interseccionalidade e Feminismo Bell Hooks é amplamente reconhecida por sua contribuição ao feminismo interseccional (Hooks, 1981). Em sua obra “Ain’t I a Woman?: Black Women and Feminism”, Hooks destaca a interconexão entre raça, classe e gênero na opressão enfrentada pelas mulheres negras. Ela argumenta que a luta feminista deve ser inclusiva e reconhecer a diversidade de experiências das mulheres.
A leitura de suas obras convida os estudantes a refletir sobre como essas interseções afetam as vidas das pessoas. Os estudantes podem se apropriar das obras de Hooks para questionar estereótipos e promover a igualdade de gênero e racial em suas próprias comunidades.
Frantz Fanon: Colonialismo e Psicologia da Opressão Frantz Fanon fornece uma análise profunda das implicações psicológicas do colonialismo e da luta pela independência (Fanon, 1961). Sua obra “Os Condenados da Terra” convida os leitores a questionar como a opressão afeta a identidade e a psicologia das pessoas.
A análise da obra citada oferece uma oportunidade para os estudantes refletirem sobre como a opressão afeta a identidade e a psicologia das pessoas (Fanon, 1961). Os estudantes podem considerar como a resistência é uma busca por dignidade e liberdade, e como podem aplicar essas lições ao desafiar sistemas opressivos.
Aimé Césaire: Desumanização do Colonialismo Aimé Césaire, através de seu poema “Discurso sobre o colonialismo”, lança luz sobre a desumanização imposta pelo colonialismo europeu (Césaire, 1950). Ele denuncia a exploração brutal das colônias africanas e caribenhas e ressalta a urgência da resistência.
podemos explorar, a partir da sua obra, como a literatura e a arte podem ser ferramentas poderosas para despertar a conscientização, nos apropriando das suas obras para que possamos considerar como as narrativas coloniais ainda têm impacto hoje e como podem contribuir para mudanças.
Silvio Almeida: Racismo Estrutural no Brasil Silvio Almeida se concentra na análise do racismo estrutural no contexto brasileiro (Almeida, 2018). Suas obras convidam os leitores a considerar como o racismo está enraizado nas instituições e nas interações cotidianas.
A leitura de sua obra, pode nos ajudar a examinar como o racismo se manifesta em sua própria sociedade e como podemos trabalhar para desmantelá-lo.
Cida Bento: Ativismo e Igualdade Racial Cida Bento é uma destacada ativista e pesquisadora que atua na promoção de políticas de igualdade racial, especialmente no campo jurídico.
A sua contribuição é sobretudo, o entendimento de como o ativismo pode ser uma ferramenta eficaz na promoção da igualdade racial. Devemos, pois nos Eles podem se apropriarmos das estratégias de ativismo apresentadas por Bento para iniciar ou se envolver em ações em suas próprias comunidades.
Eliane dos Santos Cavalleiro: Educação Anti-racista Eliane dos Santos Cavalleiro é uma referência na promoção da educação anti-racista no Brasil. Em “Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola”, (Cavalleiro, 2001). ela fornece orientações importantes para uma educação inclusiva e equitativa.
Uma das suas contribuições é ter feito poderosas reflexões sobre como podemos e devemos contribuir para uma educação mais inclusiva em suas próprias escolas e instituições de ensino.
Nilma Lino Gomes: Ação Afirmativa na Educação Nilma Lino Gomes concentra-se na promoção da igualdade racial na educação. Seu livro “Diversidade Étnico-Racial na Escola” (Gomes, 2006) oferece diretrizes para a implementação de políticas de ação afirmativa nas instituições de ensino. Assim, seu trabalho sobre as a ações afirmativas podem ser uma ferramenta eficaz para corrigir desigualdades históricas na educação e considerar como podem promovê-la em seus próprios contextos educacionais.
Petronilha Beatriz Gonçalves: Estudos Pós-coloniais e Decolonização Petronilha Beatriz Gonçalves é uma importante voz nos estudos pós-coloniais e de decolonização (Gonçalves, 2011). Suas obras problematizam as estruturas de poder que perpetuam o racismo no Brasil. Seu trabalho contribui para com oo questionamento de como o conhecimento é construído e como as narrativas dominantes podem ser desafiadas. Ao estudá-la, devemos considerar como aplicar as perspectivas pós-coloniais à análise de questões raciais em suas próprias comunidades.
Kabengele Munanga: Racismo no Brasil e no Mundo Kabengele Munanga é conhecido por sua pesquisa sobre a questão racial no Brasil e em outras partes do mundo (Munanga, 1996). Sua obra “Rediscutindo a mestiçagem no Brasil” é fundamental para entender as complexas dinâmicas raciais no país. Seu trabalho, dentre outras coisas, permite que os estudantes compreendam as complexas dinâmicas raciais no Brasil.
Podemos, então nos apropriarmos dessas leituras para refletirmos sobre como as identidades raciais são construídas em suas próprias sociedades e como a diversidade étnico-racial é abordada.
A. Bembe (Achille Mbembe): Crítica da Razão Negra A. Bembe, pseudônimo de Achille Mbembe, oferece uma análise crítica do pós-colonialismo e da política contemporânea (Mbembe, 2013). Se trabalho nos leva refletirmos sobre como as perspectivas pós-coloniais podem ser aplicadas à análise das questões políticas em seus próprios contextos e como podem contribuir para mudanças positivas.
Conclusão
A leitura das obras desses renomados autores é crucial para a promoção de uma educação anti-racista. Suas contribuições acadêmicas têm enriquecido o debate, fornecendo insights valiosos para a promoção da justiça social e da igualdade através da educação. Ao incorporar suas perspectivas em nosso pensamento e prática, podemos avançar em direção a uma sociedade mais inclusiva e equitativa.
Bibliografia
ALMEIDA, Silvio. Racismo Estrutural. Polén, 2018.
CAVALLEIRO, Eliane dos Santos. Racismo e anti-racismo na educação: repensando nossa escola. Editora Contexto, 2001.
CÉSAIRE, Aimé. Discurso sobre o colonialismo. Présence Africaine, 1950.
FANON, Frantz. Os Condenados da Terra. Editora Civilização Brasileira, 1961.
GOMES, Nilma Lino. Diversidade Étnico-Racial na Escola. Autêntica, 2006.
GONÇALVES, Petronilha Beatriz. Relações Étnico-Raciais e Educação: entre a injustiça simbólica e a injustiça econômica. Autêntica, 2011.
HOOKS, Bell. Ain’t I a Woman?: Black Women and Feminism. South End Press, 1981.
MBEMBE, Achille (A. Bembe). Crítica da Razão Negra. Antígona, 2013.
MUNANGA, Kabengele. Rediscutindo a mestiçagem no Brasil. Global, 1996.
Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 02 dez 2021
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Qual foi a importância de Carolina Maria de Jesus?Em 1960, Carolina Maria de Jesus foi a grande revelação da literatura brasileira. Nascida no sudoeste de Minas Gerais, ela morava na favela do Canindé (em São Paulo), quando foi descoberta pelo jornalista Audálio Dantas e publicou seu primeiro livro: “Quarto de Despejo – Diário de uma Favelada”
Uma das porta-vozes da mulher negra e pobre de um Brasil não tão distante, a autora traz seu ponto de vista sobre a fome, a pobreza, a solidão, a maternidade, o amor e diversos outros temas em seus diários, especialmente Quarto de Despejo, que se tornou um best seller traduzido em 16 idiomas e vendido em mais de 40
“Tem muitas pessoas aqui na favela que diz que eu quero ser muita coisa porque não bebo pinga […] Eu não bebo porque não gosto, e acabou-se. Eu prefiro empregar o meu dinheiro em livros do que no álcool”
(JESUS, 2000, p. 65).
Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 09 jul 2021
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Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 23 abr 2021
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Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 07 abr 2021

Many years ago, in the African continent, millions of Africans were brought to other countries within the condition of slavery, from which came the origin of the African Diaspora.
Nearly 10 million of the African slaves were brought to the Americas. Of these 10 million, 6 million were brought to Brazil to labor in sugarcane fields, in the mines and on coffee plantations. Of the Africans who were brought approximately 60% were sent to the Southeast region. Many of these Africans were from the linguistic and cultural group known as the Bantu.
Upon disembarking from the slaveship in Valongo, in the city of Rio de Janeiro, the enslaved were inspected at the Customs, counted and landed in the direction of the slave markets in Valongo. Those who arrived dead, or died in the sale stalls, were taken to the Black New Cemetery (Cemitério dos Pretos Novos).

In the Cemetery of the New Blacks, the bodies of the enslaved newcomers were never buried. They were left to the ground until they were burned and dismantled so that more bodies could fit. This deal shows that for Brazilian society at the time, slaves were “nothing” but bodies to be discarded in order to rot and smell, nonetheless for the African culture to which they belonged, being buried in the cemetery of the New Blacks meant a cut in their ancestral lineage that would prevent them from being resurrected in Africa.
Several travelers, among them Freireyss, scandalously described the Cemetery of the New Black and how those slaves were buried because there was no indication that the enslaved were decently buried. It is estimated that from 1769 to 1830, the date of its extinction, about 60 thousand enslaved people were buried there, despite the space of a small block of 50 fathoms.

During 1824 to 1830, the Cemetery of the New Black buried around 6.000 bodies in such small area. In the Livro de Óbitos da Freguesia de Santa Rita there are death recording which may be found a list of respective ships, ethnics and ports of origin, age, and the marks of slave masters on their bodies. In 1830 the cemetery was closed because of the anti-slave trade law and its location was lost.
But, in January of 1996, a house located at 36 Pedro Ernesto Street, in Gamboa was surprised by a great discovery. During the works, the bones of the enslaved were found. the cemetery had been rediscovered. Since then, the family of Mr. Petrucio and Mercedes, owners of the property, along with several volunteer researchers have been striving to keep the memory of Africans buried there alive.
Recently, the team of archaeologists discovered the first complete bone there, a young, African, enslaved woman who was named Bakhita in honor of the Catholic saint who fought slavery in Africa.

In conclusion, the cemetery of the new blacks was and still is the indisputable proof of slavery and the way in which human beings treated people they believed to be inferior due to their condition of enslavement uprooted from the African continent.
(mais…)Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 29 set 2020
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A Inglaterra alargou sua expansão imperial ao longo do século XIX, devido ao seu grande poderio marítimo baseado no “domínio dos mares”, ou seja, uma visão do mar como uma possível rota comercial. Esta antiga visão, deita origens no inicio do reinado da Dinastia Tudor e se consolidou como uma politica bem sucedida que culminou com o advento do imperialismo tal como conhecemos.
Foi no reinado de Elisabeth I, que a Inglaterra se tornou a maior potência econômica, política e cultural da Europa, tornando o período conhecido como a “Era de Ouro” inglesa. A rainha foi responsável pelo bom desempenho do governo da Dinastia Tudor. Ainda em vida, ela viu a alcunha de “Rainha dos Mares” se tornar realidade, o título passara do Reino de Espanha para agora a nova senhora marítima.

Talvez o intuito de preservar suas rotas marítimas para as Índias, demonstre o pragmatismo britânico com que levou a cabo, ao longo dos séculos, a sua supremacia nos mares.
Em África, a costa oeste, do Golfo da Guiné foi o lugar de vários portos que possibilitaram a chegada ao Cabo da Boa Esperança. Uma vez ali, puderam navegar até as Índias, no Oceano Índico.
Na Malásia conseguiram acesso ao Estreito de Malaca, a porta de entrada marítima para a grande império chinês que passou a sofrer o assédio britânico constante que tentava a todo custo romper suas barreiras comerciais. Uma vez em Hong Kong, o caminho estava aperto o mercado estabelecido, mesmo que não sem protestos e lutas do povo chinês que viu sua cultura milenar ser pulverizada diante das forças britânicas.
Agora, na América, ao se situarem em Cabo de Hornos, no Chile, anexaram as Ilhas Malvinas, no Atlântico Sul, batizando-as de Falklands Isands, dominando a região e outros portos do Pacífico.
No Mar Mediterrâneo, a abertura do Canal de Suez reduziu sensivelmente o tempo e o custo das viagens para as Índias. Daí, foi mais fácil ocupar militarmente o Egito, adquirir Chipre e, estabelecer de Protetorados na Somália, agora “Britânica”.
Assim, militarmente, os britânicos instalaram seus domínios em territórios e portos pelo mundo expandindo o domínio Britânico em locais estratégicos nas principais grande rotas marítimas comerciais. A rainha dos mares estava senhora do mundo e de si.
Além disto, Londres controlava a maioria dos grandes cabos transoceânicos de comunicação que, entre 1865 e 1914, constituíram uma rede de comunicação mundial usada tanto para fins militares como comerciais, em que inclusive o Brasil, graças ao Barão de Mauá, passou a ligar o Paço Imperial à capital londrina. D. Pedro II e o Parlamento Inglês conectados via cabo submerso por baixo da Bahia Guanabara.
“Tempo é dinheiro” e o controle dele também, e para controlá-lo, a fim de sincronizar suas transações comerciais, a Inglaterra impôs a adoção do o tempo horário de Greenwich para fixar os fusos horários mundiais.

Até 1870, a Grã-Bretanha incentivou o livre comércio até a década de 1870. No final do século, ela já desejava uma área comercial protegida dentro de seu império, embora, a maior parte de seus lucros viesse do “império informal” criado pelos investimentos britânicos em todo o mundo.
Assim, as estruturas sociais foram modificadas aos longo dos séculos, tendo como aliadas nesta dominação, um forte afluxo de migrantes britânicos para as colônias britânicas ao redor do mundo, bem como a multiplicação de Sociedades Missionárias Cristãs que no intuito de levar a fé, espalhavam também a cultura inglesa ao mesmo tempo que pressionavam pelo fim do odioso comércio negreiro e o fim da escravidão.
Mas isto já é outra história, aliás, a continuação da mesma, mas de um outro ponto de vista que demonstra que, ao fim ao cabo, a pressão pelo fim do tráfico negreiro foi de fato uma bandeira dos protestantes britânicos, mas não deixou de ser possuir um forte apelo capitalista.
(Júlio César Medeiros, prof. Dr. História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense)
(mais…)Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 07 jul 2020
Novo video em meu canal sobre o impacto da pandemia da Covid 19 sobre a saúde da população negra