{"id":580,"date":"2020-11-05T23:13:49","date_gmt":"2020-11-06T02:13:49","guid":{"rendered":"http:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/?p=580"},"modified":"2021-03-13T12:45:44","modified_gmt":"2021-03-13T15:45:44","slug":"nazismo-e-fascismo-os-pesadelos-que-nao-passam","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/2020\/11\/05\/nazismo-e-fascismo-os-pesadelos-que-nao-passam\/","title":{"rendered":"Nazismo e fascismo, os pesadelos que n\u00e3o passam"},"content":{"rendered":"\n<p>Por: Prof. Dr. J\u00falio\nC\u00e9sar Medeiros da Silva Pereira<a href=\"#_ftn1\">[1]<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap has-medium-font-size\">O <a href=\"http:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/2019\/10\/03\/liberalismo-economico-e-a-formacao-do-mundo-contemporaneo\/\">mundo<\/a> tem sido, nos \u00faltimos anos, aterrorizado pelo fantasma do nazismo e do fascismo. O movimento antifas, termo abreviado de antifascismo, que d\u00e1 nome a um movimento pol\u00edtico dedicado ao combate o fascismo \u00e9 um sintoma de que permanece vivo, ainda que, de certa forma escondido, um movimento fascista, do contr\u00e1rio, n\u00e3o ter\u00edamos visto milhares de ades\u00f5es ao movimento em v\u00e1rios grupos de redes sociais. Onde h\u00e1 fuma\u00e7a a fogo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O objetivo\ndeste texto \u00e9 o de tentar tra\u00e7as algumas mudan\u00e7as e perman\u00eancias entre o que teriam\nsido estes regimes totalit\u00e1rios e como e suas perman\u00eancias, posto que, embora\nn\u00e3o percebido por uma grande parcela da popula\u00e7\u00e3o, se n\u00e3o existe de fato, ou\nseja, reconhecidamente legal, seus conceitos permanecem vivos, infelizmente, na\nsociedade<a href=\"#_ftn2\">[2]<\/a>. De um\nlado, pessoas defendem que tais regimes n\u00e3o podem ser vistos anacronicamente,\ndescontextualizados de sua \u00e9poca e tempo, de outro, muitos acreditam que as\nsim. Eles est\u00e3o bem vivos e assombrando a atualidade. Para sair deste impasse,\nrecorramos a Hist\u00f3ria e vejamos analisemos o que eles foram e representaram,&nbsp; seus ide\u00e1rios e propostas a fim de identificarmos\nseus vest\u00edgios a fim de comprovarmos, se que \u00e9 poss\u00edvel a sua exist\u00eancia hoje. &nbsp;Para tantos, iremos fazer uma reconstru\u00e7\u00e3o hist\u00f3rica\ndo que foram estes movimentos em seu contexto e os ind\u00edcios da sua perman\u00eancia no\ntecido social de uma forma global, a fim de compreendermos os seus malef\u00edcios e\na import\u00e2ncia do conhecimento do passado para podermos superar e neutralizar\nsuas a\u00e7\u00f5es. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O mundo P\u00f3s 1\u00aa Guerra Mundial<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap has-medium-font-size\">O fim da 1\u00aa\nGuerra trouxe diversas mudan\u00e7as para o mundo, principalmente para a Europa. Os\naltos custos da guerra levaram todas as pot\u00eancias europeias a uma grave crise\necon\u00f4mica. Este fato &nbsp;culminou com a ascens\u00e3o\ndos EUA como a maior pot\u00eancia industrial, financeira e b\u00e9lica do mundo.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Al\u00e9m disto,\nas mulheres ganharam as ruas. Como grande parte da popula\u00e7\u00e3o masculina europeia\nparticipou da guerra, as mulheres conquistaram um espa\u00e7o no mercado de\ntrabalho. Ap\u00f3s a guerra, elas continuaram exercendo suas fun\u00e7\u00f5es em lojas,\nf\u00e1bricas e etc., por\u00e9m com sal\u00e1rios inferiores ao dos homens, desigualdade que\nse perpetua at\u00e9 os dias de hoje, em muitos setores.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A situa\u00e7\u00e3o\npol\u00edtica na Europa tamb\u00e9m se complicou, visto que surgiram novas correntes\npol\u00edticas diferentes das democracias liberais que governavam a Europa antes da\nguerra. Nas d\u00e9cadas de 1920 e 1930, o mundo assistiria perplexo o surgimento de\nmovimentos extremistas e autorit\u00e1rios como os &nbsp;Fascismo e Nazismo. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Tamb\u00e9m \u00e9\nimportante lembrar que o fim da guerra marcou tamb\u00e9m o fim dos grandes imp\u00e9rios\neuropeus como o Imp\u00e9rio Alem\u00e3o, o Imp\u00e9rio \u00c1ustro-H\u00fangaro e o Imp\u00e9rio\nTurco-Otomano. O fim destes imp\u00e9rios deram origem ao surgimento de diversos\npequenos pa\u00edses e de conflitos armados em pequenas escalas na regi\u00e3o dos Balc\u00e3s,\nem que minorias \u00e9tnicas foram massacradas dando origem a uma forte migra\u00e7\u00e3o populacional\nem dire\u00e7\u00e3o aos pa\u00edses que gozavam de maior estabilidade. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Terminada a\nPrimeira Guerra Mundial, os pa\u00edses envolvidos, tentando minorar a grave crise econ\u00f4mica,\n&nbsp;iniciaram um processo de restaura\u00e7\u00e3o\nnuma tentativa de recupera\u00e7\u00e3o. Inglaterra e Fran\u00e7a recuperaram-se nos primeiros\nanos da d\u00e9cada de 1920, contando com empr\u00e9stimos concedidos por diversos pa\u00edses,\nprincipalmente <br>\nos Estados Unidos, que possu\u00eda interesses em impedir a escalada socialista\nprovida pela URSS, a partir de 1917, que emprestou cerca de US$ 162 bilh\u00f5es\natuais<a href=\"#_ftn3\">[3]<\/a>. Com\nisto, a economia norte americana se fortaleceu em detrimento dos pa\u00edses\neuropeus, uma vez que grande parte deste capital emprestado era justamente para\nse comprar produtos americanos. Ao longo das d\u00e9cadas, a Bolsa de Nova Iorque\nsuperaria a de Londres e o estoque de ouro dos aliados fortaleceu o d\u00f3lar elevando\na moeda americana, mais tarde, ao mesmo n\u00edvel do ouro. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">J\u00e1 a\nAlemanha passou por in\u00fameras dificuldades; era dif\u00edcil reconstruir o pa\u00eds com\nas pesadas indeniza\u00e7\u00f5es que deveriam pagar \u00e0s na\u00e7\u00f5es vencedoras, conforme foi\nestabelecido no Tratado de Versalhes, mesmo tendo suas contas constantemente revisadas.\nPor ele, ingleses, franceses e americanos estabeleceram pesadas taxas sobre os alem\u00e3es,\nem 28 de julho de 1919, dia da rendi\u00e7\u00e3o alem\u00e3. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Baseado\nneste tratado, a Alemanha reconhecia ser a causadora do confronto; teria de devolver\nAls\u00e1cia Lorena aos franceses; entregar parte de seu territ\u00f3rio nacional dando\norigem a Pol\u00f4nia. No campo b\u00e9lico, a Alemanha seria proibida de possuir uma marinha\ne ter uma avia\u00e7\u00e3o de guerra; &nbsp;n\u00e3o teriam artilharia\npesada; nem poderia promover o alistamento militar; seria tamb\u00e9m impedida de\nter um ex\u00e9rcito com mais de 100 mil soldados e a Ren\u00e2nia, na fronteira da\nAlemanha com B\u00e9lgica e Fran\u00e7a, seria desmilitarizada permanentemente. Mas o golpe\nmais severo ainda estava por vir.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A indeniza\u00e7\u00e3o\nde guerra previa o pagamento de 20 bilh\u00f5es de marcos-ouro, mas, pouco tempo\ndepois, franceses e ingleses estavam exigindo mais de 200 bilh\u00f5es de\nmarcos-ouro dos alem\u00e3es. Fato que agravou a crise econ\u00f4mica alem\u00e3 dando combust\u00edvel\npara o partido nazista pregar a desobedi\u00eancia em rela\u00e7\u00e3o ao Tratado de\nVersalhes. No fim das contas, foram os Estados Unidos, &nbsp;a na\u00e7\u00e3o que mais lucrou com o conflito,\nemprestavam dinheiro a diversos pa\u00edses, incluindo a Alemanha, para que ela\npudesse recuperar sua economia e pagar suas d\u00edvidas.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mas o Crack\nda Bolsa de Nova Iorque seria um fator fundamental que ajudaria aprofundar esta\ncrise. A&nbsp;Crise de 1929, que ficou\npopularmente&nbsp;conhecida&nbsp;como&nbsp;a Grande depress\u00e3o, constitu\u00eda-se de\ncrise de super produ\u00e7\u00e3o, que reverberou mundialmente afetando os pa\u00edses perif\u00e9ricos\ne, principalmente os europeus que tentavam se reerguer ap\u00f3s a guerra. &nbsp;Tal crise gerou desemprego em massa; a\nfal\u00eancia de v\u00e1rias empresas; aumento da pobreza. Tal fato ser\u00e1 o principal combust\u00edvel\npara a ideologia nazista e fascista que acusar\u00e1 o capitalismo como umas das\nprincipais causas da forte crise econ\u00f4mica por que passava os europeus. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">A crise do modelo de governo democr\u00e1tico e a queda do liberalismo<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap has-medium-font-size\">Foi neste\ncen\u00e1rio que a democracia come\u00e7ou a entrar em crise. Iniciou-se uma crescente descren\u00e7a\nda popula\u00e7\u00e3o em rela\u00e7\u00e3o a democracia como o melhor caminho para se superar a\ncrise. Ent\u00e3o, o poder dos governos democr\u00e1ticos em resolver os problemas que se\napresentavam come\u00e7ou a ser posto em xeque. Surgiram movimentos que propunham\nalternativas ao regime democr\u00e1tico e que se opunham ferozmente ao Socialismo e\nao Comunismo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Para os\nmembros desses movimentos, somente um l\u00edder en\u00e9rgico seria capaz de tirar as\nna\u00e7\u00f5es da crise, ainda que, para isso, fosse necess\u00e1rio cercear algumas\nliberdades individuais. Eram movimentos &nbsp;de cunho autorit\u00e1rio, com a express\u00e3o da\nvontade de um l\u00edder sobreposta \u00e0 escolha dos cidad\u00e3os; &nbsp;e nacionalistas, de modo que os interesses da\nna\u00e7\u00e3o ficavam acima dos indiv\u00edduos. Em pa\u00edses como a It\u00e1lia e Alemanha, a crise\necon\u00f4mica foi usada como elemento propulsor de discursos inflamados que apontavam\na modernidade, a democracia e tanto o capitalismo quanto o comunismo como os\nculpados pela crise instaurada. Vejamos primeiro o caso da It\u00e1lia. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">N\u00e3o sem raz\u00e3o,\nEric Hobsbawm chama este per\u00edodo como \u201cEra da Cat\u00e1strofe\u201d (HOBSBAWM, 1997), per\u00edodo\nno qual, segundo ele, os sobreviventes do s\u00e9culo XIX viram o colapso dos\nvalores&nbsp; e institui\u00e7\u00f5es de cunho liberal ru\u00edrem.\nA desconfian\u00e7a em rela\u00e7\u00e3o \u00e0 ditatura se esvaziava enquanto a ideia de se dar\nsuper poderes a lideres em detrimento das liberdades individuais e de express\u00e3o\ntomava cada vez mais for\u00e7a na Europa do p\u00f3s guerra. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ao final da\nPrimeira Guerra Mundial (1914-1918), a It\u00e1lia, apesar de pertencer ao grupo das\nna\u00e7\u00f5es vencedoras, n\u00e3o teve tantas vantagens como as demais, diga-se Estados Unidos,\nFran\u00e7a e Inglaterra. A situa\u00e7\u00e3o interna do pa\u00eds se tornou ca\u00f3tica.&nbsp; Dos despojos da guerra n\u00e3o lhes sobrou nada,\npois &nbsp;n\u00e3o entrara na partilha do\nterrit\u00f3rio alem\u00e3o a despeito de estar prevista a divis\u00e3o com ela nos tratados\nde paz. A guerra tamb\u00e9m lhe trouxe pesadas baixas, foram mais de 600 mil mortos\ne 1 milh\u00e3o de feridos. Ap\u00f3s o conflito, os soldados egressos n\u00e3o encontraram\ntrabalho nem ocupa\u00e7\u00e3o. No campo econ\u00f4mico a infla\u00e7\u00e3o destru\u00eda o poder de compra\ndos italianos agravando a carestia e a fome. Diante de tantos problemas a\npopula\u00e7\u00e3o questionava a validade de guerra e, cada vez mais, mostrava-se\ninsatisfeita com o governo vigente. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 1919 o\nmovimento <strong>Fascio di Combattimento<\/strong> surge liderado pelo jornalista Benito\nMussolini. O grupo era composto por ex-combatentes e desempregados que\ndefendiam ideias nacionalistas, autorit\u00e1rias e anticomunistas. N\u00e3o demorou\nmuito e Mussolini conquistou adeptos em toda a It\u00e1lia, de modo que em 1921 foi\nformado o Partido Nacional Fascista.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 1922, militantes fascistas marcham at\u00e9 Roma, ocupam pr\u00e9dios p\u00fablicos e esta\u00e7\u00f5es de trem. Como resultado da <strong>Marcha sobre Roma<\/strong>, o rei convida Mussolini ao cargo de primeiro-ministro. Mussolini passa ent\u00e3o a reunir poderes cada vez maiores at\u00e9 que, em 1928, o fascismo se torna uma ditadura comandada por ele. O seu sonho era do restaurar a antiga ordem, baseada na grandeza do imp\u00e9rio romano, e um ideal que, caso fosse expressa pela frase \u201cA It\u00e1lia vai voltar a ser grande\u201d, n\u00e3o estaria errada, pois no cerne da quest\u00e3o, estava a ideia da restaura\u00e7\u00e3o de de um passado imperial de gl\u00f3ria. O termo fascismo deriva de <em>fascio<\/em>, mas tamb\u00e9m de <em>fasces<\/em>, que nos tempos do Imp\u00e9rio Romano era um s\u00edmbolo dos magistrados: um machado cujo cabo era rodeado de varas, simbolizando o poder do Estado e a unidade do&nbsp; povo.&nbsp; Pelo mundo, Mussolini e os camisas verdes, como eram chamados os fascistas italianos, inspiraram governos: na Espanha, Franco; no Brasil, Get\u00falio Vargas, no seu Estado Novo e o Integralismo; e na Alemanha, Hitler. De fato, o vento autorit\u00e1rio foi t\u00e3o forte que de 1918 a 1920 dezenas de Assembleias legislativas foram fechadas e durante o per\u00edodo entreguerras, os \u00fanicos pa\u00edses que mantiveram suas democracias funcionando ininterruptamente foram Gr\u00e3-Bretanha, a Finl\u00e2ndia, o Estado livre Irland\u00eas, a Su\u00e9cia e a Su\u00ed\u00e7a. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Na\nAlemanha, o fascismo assumiu sua forma extrema, o nazismo. Em 1918, o Imperador\nGuilherme II renuncia ao trono abrindo caminho para a proclama\u00e7\u00e3o da Rep\u00fablica\nna Alemanha. Um ano depois, revolucion\u00e1rios socialistas tentam tomar o poder,\nmas s\u00e3o derrotados e seus planos s\u00e3o frustrados. Tem In\u00edcio a Rep\u00fablica de\nWeimar.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 1920 \u00e9 Fundado\ndo Partido Nacional-Socialista dos Trabalhadores Alem\u00e3es (partido nazista). Estimulado\npela Marcha sobre Roma, feita por Mussolini, Hitler incita os nazistas a ocupar\na cidade de Munique. A tentativa fracassa e Hitler \u00e9 preso. Na cadeia, Hitler\ninicia a escrita de sua obra Mein Kampf (minha luta), contendo as ideias\nracistas que disseminavam o mito ariano, xen\u00f3fobas, antissemitas, anticomunistas\ne da necessidade de um espa\u00e7o vital, ou seja um espa\u00e7o natural para desenvolvimento\ntotal da na\u00e7\u00e3o alem\u00e3 para al\u00e9m de suas fronteiras. Mais tarde, &nbsp;o livro se tornaria a B\u00edblia do Nazismo, o\nlivro de cabeceira da maioria dos alem\u00e3es e formador da ideologia nazista. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Em 1932, O\nPartido Nazista ocupa mais de um ter\u00e7o no Parlamento alem\u00e3o. Em 1934, Hitler\ntorna-se presidente da rep\u00fablica e d\u00e1 in\u00edcio ao Terceiro Reich, &nbsp;termo cunhado pela propaganda nazista, baseado\nno sonho de de funda\u00e7\u00e3o de um terceiro imp\u00e9rio alem\u00e3o. O primeiro havia sido o\nSacro-Imp\u00e9rio alem\u00e3o, o segundo teria sido o Imp\u00e9rio Alem\u00e3o e o terceiro seria\neste, o dos nazistas. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Segundo\nEric Hobsbawm, estas for\u00e7as que mobilizaram os ide\u00e1rios fascistas e nazistas possu\u00edam\nem comum as seguintes caracter\u00edsticas que os uniam: todos eram autorit\u00e1rios e\ncontra a subvers\u00e3o da velha ordem social, ca\u00e7avam socialistas e comunistas; &nbsp;todos eram hostis \u00e0s institui\u00e7\u00f5es pol\u00edticas liberais;\ntodos al\u00e9m de serem reacion\u00e1rios anacr\u00f4nicos tamb\u00e9m eram todos nacionalistas ao\nextremo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Cabe\nlembrar as caracter\u00edsticas comuns entre estes regimes totalit\u00e1rios que, grosso\nmodo, baseava-se no(a): O poder estava concentrado nas m\u00e3os do Estado; Extin\u00e7\u00e3o\ndas liberdades individuais e coletivas; Uma Forte repress\u00e3o e controle sobre a\nvida p\u00fablica e privada; Controle dos meios de comunica\u00e7\u00e3o a fim de us\u00e1-la para\na propaganda pol\u00edtica; persegui\u00e7\u00e3o aos comunistas e socialistas; ca\u00e7a aos\nhomossexuais, judeus, ciganos e imigrantes. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">O horror do holocausto<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap has-medium-font-size\">O\nantissemitismo nazista foi respons\u00e1vel por um dos maiores genoc\u00eddios da\nHist\u00f3ria. O chamado holocausto refere-se ao exterm\u00ednio de mais de 6 milh\u00f5es de\njudeus nos campos de concentra\u00e7\u00e3o nazistas. A persegui\u00e7\u00e3o aos judeus na\nAlemanha, na verdade havia iniciado em 1933, embora j\u00e1 houvesse sinal de que\nalgo muito ruim estava por ocorrer com os judeus, desde a publica\u00e7\u00e3o do livro\nde Hitler, <em>Main Kampf<\/em>, em 1926, quando ele saiu da pris\u00e3o. Agora, judeus\ntamb\u00e9m foram impedidos de ocupar cargos p\u00fablicos e obrigados a usar uma estrela\nde Davi na roupa como identifica\u00e7\u00e3o. Depois foram proibidos de se casarem com\nditos \u201carianos\u201d, como se autodenominavam os alem\u00e3es, numa tentativa de unirem atrav\u00e9s\ndo mito, a antigos antepassados e assim manifestar a sua \u201cpureza\u201d racial. A eugenia\nestava no auge e o mito de uma pureza racial parecia inabal\u00e1vel, afinal, cada\nvez, mais a ci\u00eancia, de certo modo, caminhava neste sentido. Ela, que foi um\nmovimento que acreditava piamente na perfectibilidade humana a partir da\ngen\u00e9tica, a eugenia incentivou a &#8220;sele\u00e7\u00e3o da esp\u00e9cie\u201c: o cruzamento entre\nindiv\u00edduos ditos \u201cpuros e superiores\u201d, reverberando pelo mundo inclusive no\nBrasil<a href=\"#_ftn4\">[4]<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Contudo,\nesta \u201cpureza\u201d de ra\u00e7a foi t\u00e3o inventada quanto todos os outros mitos propalados\npelos regimes totalit\u00e1rios. At\u00e9 1898, n\u00e3o havia um nome para ela, pois s\u00f3 ent\u00e3o\nque foi cunhado o termo \u201cn\u00f3rdico\u201d que, por sinal, &nbsp;n\u00e3o se furtou em aceitar pesquisas eug\u00eanicas,\nque obviamente lhes eram favor\u00e1veis para embasar tal superioridade e, em muitos\ncasos ditar este vi\u00e9s cientifico como moderno, ainda que nutrisse um forte\ndesprezo \u00e0 modernidade, algo contradit\u00f3rio, mas pr\u00f3prio de tais movimentos que\nseparam apenas o que lhes seja \u00fatil, e onde os fins justificam os meios.\nValores conservadores, propaganda de massa, ideologia de barbarismo irracionalista,\ndentro de um nacionalismo exacerbado deu tom ao horrores que estava prestes a\nser descortinado diante dos olhos do mundo. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">No auge da\n2 Guerra Mundial, eles j\u00e1 estavam confinados em campos de concentra\u00e7\u00e3o, onde\neram submetidos a trabalhos for\u00e7ados produzindo apetrechos para a guerra e\nsendo cobaias para testes cient\u00edficos regados com requintes desumanos. Ali, com\nalimenta\u00e7\u00e3o insuficiente e sem condi\u00e7\u00f5es de higiene e sa\u00fade, morriam aos milhares\nno que Hitler havia denominado de Solu\u00e7\u00e3o final, (do alem\u00e3o Endl\u00f6sung der\nJudenfrage), um plano nazista que tinha como meta o genoc\u00eddio da popula\u00e7\u00e3o\njudaica nos territ\u00f3rios ocupados pelos alem\u00e3es. &nbsp;&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mas n\u00e3o apenas\njudeus estariam nestes campos de trabalhos e morte for\u00e7ados, mas grupos\nminorit\u00e1rios considerados &#8220;indesejados&#8221;, como os eslavos, testemunhas\nde Jeov\u00e1, poloneses, ciganos, negros, homossexuais, pessoas com necessidades\nespec\u00edficas tanto f\u00edsicas quanto mentais, foram perseguidas e exterminadas, mas\napesar da persegui\u00e7\u00e3o aos judeus ser conhecida, o genoc\u00eddio e suas propor\u00e7\u00f5es\nsomente foi descoberto ao final da guerra, quando os ex\u00e9rcitos aliados\ncome\u00e7aram a libertar os prisioneiros e se depararam com milhares de\nprisioneiros subnutridos e cad\u00e1veres abandonados ao ar livre. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">De fato, a xenofobia\nfoi um car\u00e1ter marcante deste per\u00edodo. Acirrada pela forte crise econ\u00f4mica por\nque passou a Europa ap\u00f3s a 1\u00aa Guerra, milh\u00f5es de pessoas migraram de um pa\u00eds para\no outro em busca de melhores condi\u00e7\u00f5es de vida. Cruzando fronteiras\nestrangeiras, singrando mares e todos os cantos, homens e mulheres deixavam os pa\u00edses\nperif\u00e9ricos em dire\u00e7\u00e3o pa\u00edses que lhes dessem melhores condi\u00e7\u00f5es de trabalho.\nTal fato acirrou o \u201cmedo\u201d do outro, na figura do estrangeiro, das minorias, dos\nsem p\u00e1tria e sem territ\u00f3rio. Vistos como esc\u00f3rias e pessoas n\u00e3o gratas, poloneses,\nciganos, arm\u00eanios, curdos, eslavos e outras minorias \u00e9tnicas foram tachadas\ncomo amea\u00e7as competitivas pelo p\u00e3o escasso. Juntavam-se a um novo ex\u00e9rcito da\nclasse trabalhadora disputando trabalho e quando ascendiam economicamente como\nos judeus, chegavam a ser os donos empresas e f\u00e1bricas onde os pr\u00f3prios alem\u00e3es\ntrabalhavam, o que por fim retroalimentava o \u00f3dio contra seu povo e servia de\njustifica\u00e7\u00e3o para que sofressem saques e roubos. O fim do s\u00e9culo XIX introduzia\na xenofobia de massa. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Mas n\u00e3o podemos\nesquecer um outro elemento t\u00e3o marcante como esclarecedor, que faz lembrar os\ntempos presentes em que algumas igrejas evang\u00e9licas e cat\u00f3licas parecem apoiar\ndiscursos autorit\u00e1rios e\/ou reacion\u00e1rios. Na Europa do entreguerras, a Igreja\nCat\u00f3lica Romana, a despeito de suas discord\u00e2ncias com o totalitarismo em alguns\npontos guardava uma estreita concord\u00e2ncia. Ambos \u201cnutriam um \u00f3dio comum pelo Iluminismo\ndo s\u00e9culo XVIII, pela Revolu\u00e7\u00e3o Francesa e por tudo que derivava dela: democracia,\nliberalismo e, claro, mais marcadamente, o \u201ccomunismo ateu\u201d<a href=\"#_ftn5\">[5]<\/a>. <\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">E hoje?<\/h3>\n\n\n\n<p class=\"has-drop-cap has-medium-font-size\">\u00c9 claro que\nn\u00e3o se pode, de forma alguma, tentar enquadrar o presente no passado, ou\nreviver tais fantasmas com as roupas do hoje. Mas existem ind\u00edcios muito forte\nde que, pelo menos, no subterr\u00e2neo do tecido social vigente, existam ranhuras\nque deitam suas ra\u00edzes nas mesmas ideias que foram propaladas no per\u00edodo entreguerras.\nIdeias como a do racismo, do nacionalismo, do antissemitismo e do anticomunismo\nest\u00e3o presentes ainda hoje. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Uma releitura\nenviesada do passado, negacionista que nega o holocausto, recha\u00e7a os direitos\ndas minorias \u00e9tnicas e suas demandas s\u00e3o pontos que ligam o tempo presente a\neste passado n\u00e3o muito distante. Hoje, como ontem, n\u00e3o \u00e9 dif\u00edcil encontrar apoio\npara ideias que negam que a escravid\u00e3o tenha sido mal\u00e9fica, que acreditam num ide\u00e1rio\ncuja raiz recorre a um passado de gl\u00f3ria que nunca existiu. A persegui\u00e7\u00e3o ao\ndiferente, discrepante ou que n\u00e3o encaixa no jogo moral vigente, seja da ordem\ndo g\u00eanero ou de classe \u00e9 perseguido e vistos como os inimigos da na\u00e7\u00e3o. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Por tudo\nisto exposto, e guardadas as devidas propor\u00e7\u00f5es, n\u00e3o se pode negar que os ind\u00edcios\ntotalit\u00e1rios est\u00e3o a\u00ed, ainda que inconscientemente. O discurso \u00e9 sedutor e prop\u00f5em\nmedidas simpl\u00f3rias. Eleger um inimigo, elimin\u00e1-lo quando poss\u00edvel for, em nome\nda restaura\u00e7\u00e3o da ordem vigente que \u00e9, logicamente excludente, guarda certa\nrela\u00e7\u00e3o com os fatos hist\u00f3ricos vivenciados na Europa do entreguerras. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Este artigo\nn\u00e3o tem por objetivo afirmar a exist\u00eancia de regimes totalit\u00e1rios hoje, mas o\nde, atrav\u00e9s da Hist\u00f3ria apontar as devidas semelhan\u00e7as entre o agora e o que se\nfoi, no sentido de alertar a cada um de n\u00f3s sobre o perigo do retorno destes\nmales sociais. Sobretudo porque, algo que n\u00e3o se pode negar e que a Hist\u00f3ria\ndemonstrou \u00e9 que ambientes de forte crise social&nbsp; e econ\u00f4mica \u00e9 um campo f\u00e9rtil para o\nsurgimento de lideran\u00e7as autorit\u00e1rias e regimes antidemocr\u00e1ticos. &nbsp;Quando isto acontece, fantasmas reaparecem no\nimagin\u00e1rio transvertidos de ordem. &nbsp;<\/p>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\">Refer\u00eancias bibliogr\u00e1ficas<\/h3>\n\n\n\n<p>Arendt, Hannah (2013)\n[1951].&nbsp;<em>Origens do totalitarismo<\/em>. S\u00e3o Paulo:\nCompanhia das Letra. <\/p>\n\n\n\n<p>HABIB, Paula Arantes\nBotelho Briglia. Eis o mundo encantado que Monteiro Lobato criou: ra\u00e7a, eugenia\ne na\u00e7\u00e3o. 2003. 175 p. Disserta\u00e7\u00e3o (mestrado) &#8211; Universidade Estadual de\nCampinas, Instituto de Filosofia e Ciencias Humanas, Campinas, SP. Dispon\u00edvel\nem: &lt;http:\/\/www.repositorio.unicamp.br\/handle\/REPOSIP\/281539&gt;. Acesso em:\n3 ago. 2018.<\/p>\n\n\n\n<p>HOBSBAWM, Eric (2015). A\nera dos imp\u00e9rios: 1875-1914. S\u00e3o Paulo: Paz e Terra. <\/p>\n\n\n\n<p>HOBSBAWM, Eric. Era dos extremoso: o breve s\u00e9culo XX, 1914-1991,\n2\u00aa edi\u00e7\u00e3o. S\u00e3o Paulo; Companhia das Letras, 1995. <\/p>\n\n\n\n<p>RICHARD, LioneI. A Rep\u00fablica de Weimar (1919-1933). S\u00e3o\nPaulo: Companhia das Letras, 1988. <\/p>\n\n\n\n<p>Fontes online:<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/encyclopedia.ushmm.org\/content\/pt-br\/article\/the-final-solution\">https:\/\/encyclopedia.ushmm.org\/content\/pt-br\/article\/the-final-solution<\/a><\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"https:\/\/www.rfi.fr\/br\/europa\/20181112-como-primeira-guerra-mundial-arruinou-economia-da-europa\">https:\/\/www.rfi.fr\/br\/europa\/20181112-como-primeira-guerra-mundial-arruinou-economia-da-europa<\/a><\/p>\n\n\n\n<hr class=\"wp-block-separator\" \/>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref1\">[1]<\/a>\nTexto elaborado para as aulas de Historia Contempor\u00e2nea II, ministradas na\nUnivesidade Federal Fluminense, 2020. <\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref2\">[2]<\/a> Veja\nmat\u00e9ria sobre o neonazismo <a href=\"https:\/\/www.politize.com.br\/neonazismo-o-rosto-do-nazismo-na-atualidade\/\">https:\/\/www.politize.com.br\/neonazismo-o-rosto-do-nazismo-na-atualidade\/<\/a>\n<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref3\">[3]<\/a> <a href=\"https:\/\/www.rfi.fr\/br\/europa\/20181112-como-primeira-guerra-mundial-arruinou-economia-da-europa\">https:\/\/www.rfi.fr\/br\/europa\/20181112-como-primeira-guerra-mundial-arruinou-economia-da-europa<\/a>\n<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref4\">[4]<\/a> Sobre\na eugenia no Brasil, veja o excelente trabalho de Paula Habib &nbsp;<a href=\"https:\/\/anpuh.org.br\/uploads\/anais-simposios\/pdf\/2019-01\/1548210412_156d47b6171e9a5e966d70ae2f48227b.pdf\">https:\/\/anpuh.org.br\/uploads\/anais-simposios\/pdf\/2019-01\/1548210412_156d47b6171e9a5e966d70ae2f48227b.pdf<\/a>\n<\/p>\n\n\n\n<p><a href=\"#_ftnref5\">[5]<\/a> HOBSBAWM,\nEric. Era dos extremoso: o breve s\u00e9culo XX, 1914-1991, p.118. &nbsp;<\/p>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Artigo que discute as permanencias e mudan\u00e7as do pensamentos nazista e fascista, nos dias de hoje. <\/p>\n","protected":false},"author":209,"featured_media":586,"comment_status":"open","ping_status":"open","sticky":true,"template":"","format":"standard","meta":{"_exactmetrics_skip_tracking":false,"_exactmetrics_sitenote_active":false,"_exactmetrics_sitenote_note":"","_exactmetrics_sitenote_category":0,"footnotes":""},"categories":[10,32,2,137,53,4,138,1],"tags":[146,145,149,148,147],"class_list":["post-580","post","type-post","status-publish","format-standard","has-post-thumbnail","hentry","category-antropologia","category-desenvolvimento-academico","category-historia","category-historia-contemporanea","category-historia-conteudo-e-metodo","category-historiografia","category-imperialismo","category-sem-categoria","tag-fascismo","tag-nazismo","tag-periodo-entreguerras","tag-pos-guerra","tag-totalitarismo"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/580","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/posts"}],"about":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/types\/post"}],"author":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/users\/209"}],"replies":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/comments?post=580"}],"version-history":[{"count":9,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/580\/revisions"}],"predecessor-version":[{"id":664,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/posts\/580\/revisions\/664"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/media\/586"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=580"}],"wp:term":[{"taxonomy":"category","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/categories?post=580"},{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=580"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}