{"id":892,"date":"2025-03-01T11:13:24","date_gmt":"2025-03-01T14:13:24","guid":{"rendered":"http:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/?p=892"},"modified":"2025-03-01T11:13:24","modified_gmt":"2025-03-01T14:13:24","slug":"da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira","status":"publish","type":"post","link":"https:\/\/www.professores.uff.br\/juliocesarmedeiros\/2025\/03\/01\/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira\/","title":{"rendered":"Da academia para a avenida: pesquisa de professor da UFF vira enredo da Mangueira"},"content":{"rendered":"\n<p>Materia de:  <a href=\"https:\/\/www.uff.br\/28-02-2025\/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira\/\">https:\/\/www.uff.br\/28-02-2025\/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira\/<\/a><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">&#8220;No Carnaval de 2025, a Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira apresenta, na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, um enredo que mergulha na hist\u00f3ria e na resist\u00eancia do povo negro no Brasil. Com o t\u00edtulo \u201c\u00c0 Flor da Terra \u2013 no Rio da Negritude entre Dores e Paix\u00f5es\u201d, a escola de samba vai contar a narrativa retratada no livro\u00a0<em>\u00c0 flor da terra: o cemit\u00e9rio dos Pretos Novos no Rio de Janeiro<\/em>, do professor de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea da Universidade Federal Fluminense (UFF), J\u00falio C\u00e9sar Medeiros da S. Pereira. A obra, fruto de uma extensa pesquisa acad\u00eamica, aborda a mem\u00f3ria do Cemit\u00e9rio dos Pretos Novos, local onde escravizados eram enterrados de forma prec\u00e1ria, \u201c\u00e0 flor da terra\u201d, refletindo a desumaniza\u00e7\u00e3o e o descaso da \u00e9poca.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O enredo, idealizado pelo carnavalesco Sidnei Fran\u00e7a, estreante no Carnaval carioca, promove uma reflex\u00e3o sobre o apagamento e a invisibilidade do povo preto desde a chegada dos escravizados ao Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. Fran\u00e7a, que acumula cinco t\u00edtulos em S\u00e3o Paulo, optou por explorar as influ\u00eancias dos povos bantos na cultura brasileira, ao dar destaque \u00e0 sua contribui\u00e7\u00e3o para a forma\u00e7\u00e3o sociocultural do Rio de Janeiro.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A pesquisa de Pereira, que serviu de base para o enredo, revisita uma das p\u00e1ginas mais sombrias da hist\u00f3ria do Brasil e investiga as pr\u00e1ticas de sepultamento dos escravizados africanos rec\u00e9m-chegados ao pa\u00eds entre 1722 e 1830. O trabalho, originalmente uma disserta\u00e7\u00e3o de mestrado, utiliza documentos hist\u00f3ricos como livros de \u00f3bitos, relatos de viajantes, jornais da \u00e9poca e dados arqueol\u00f3gicos para reconstruir a hist\u00f3ria desse local de mem\u00f3ria e dor.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O Cemit\u00e9rio dos Pretos Novos foi criado exclusivamente para enterrar escravizados que morriam logo ap\u00f3s a chegada ao Brasil, antes de serem vendidos no Valongo. Funcionou inicialmente no Largo de Santa Rita, no centro do Rio, e depois foi transferido para o Valongo, regi\u00e3o portu\u00e1ria da cidade, por ordem do vice-rei Marqu\u00eas do Lavradio. O local, que operou de 1774 a 1830, era marcado pela desumaniza\u00e7\u00e3o: os corpos eram enterrados de forma prec\u00e1ria, \u201c\u00e0 flor da terra\u201d, ou seja, eram deixados ao solo sem sepultamento, ritual religioso ou qualquer respeito pelos mortos. Os que eram sepultados, eram esquecidos nus, envoltos em esteiras, em valas comuns.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A pesquisa de Medeiros destaca que o aumento do tr\u00e1fico negreiro no in\u00edcio do s\u00e9culo XIX levou a uma superlota\u00e7\u00e3o do cemit\u00e9rio. \u201cEntre 1824 e 1830, mais de seis mil escravizados foram enterrados no local, mas se levarmos em conta desde a sua funda\u00e7\u00e3o, em 1774 at\u00e9 1830, seriam mais de vinte mil sepultamentos. O fechamento do cemit\u00e9rio em 1830 coincidiu com o tratado de extin\u00e7\u00e3o do tr\u00e1fico de escravos, assinado com a Inglaterra. No entanto, a pr\u00e1tica de sepultamentos prec\u00e1rios continuou em outros locais\u201d.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">Ainda segundo o professor, \u201ca localiza\u00e7\u00e3o do Cemit\u00e9rio dos Pretos Novos foi perdida, at\u00e9 que em 1996, na Rua Pedro Ernesto, 35. (Antiga rua do Cemit\u00e9rio), o casal Mercedes e Petr\u00facio, descobriram as ossadas, ao fazerem a reforma do im\u00f3vel rec\u00e9m-adquirido. Ali estava o cemit\u00e9rio de escravizados esquecidos, os quais nunca tiveram seus corpos devidamente sepultados.\u201d&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">A an\u00e1lise da viol\u00eancia cultural praticada no Cemit\u00e9rio dos Pretos Novos \u00e9 um dos pontos-chave do livro. O professor explora como as pr\u00e1ticas de sepultamento desrespeitavam tanto as tradi\u00e7\u00f5es cat\u00f3licas quanto as cren\u00e7as bantos, predominantes entre os escravizados. \u201cNa cultura banto, os rituais f\u00fanebres eram essenciais para garantir que os mortos se integrassem ao mundo dos ancestrais. A falta desses rituais transformava os mortos em \u2018desgarrados\u2019, esp\u00edritos que atormentariam os vivos. Para os escravizados, essa viol\u00eancia simb\u00f3lica somava-se ao trauma da escraviza\u00e7\u00e3o e do desenraizamento.\u201d, explica o autor.&nbsp;<\/p>\n\n\n\n<figure class=\"wp-block-image\"><img decoding=\"async\" src=\"https:\/\/www.uff.br\/wp-content\/uploads\/2025\/02\/CARNAVAL2-819x1024.png\" alt=\"\" class=\"wp-image-257329\" \/><\/figure>\n\n\n\n<p><em>Imagem oficial do carnaval 2025 da Mangueira \u2014 Foto: Divulga\u00e7\u00e3o<\/em><\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O estudo tamb\u00e9m revela a rela\u00e7\u00e3o do cemit\u00e9rio com a cidade do Rio de Janeiro. Com isso, a Mangueira, conhecida por seus enredos que abordam temas sociais e hist\u00f3ricos, promete transformar a Sapuca\u00ed n\u00e3o s\u00f3 em um palco de celebra\u00e7\u00e3o, mas tamb\u00e9m de reflex\u00e3o. O desfile vai explorar as dores e paix\u00f5es que permeiam a viv\u00eancia da popula\u00e7\u00e3o negra no Rio de Janeiro, destacando a luta contra o apagamento hist\u00f3rico e a busca por reconhecimento e igualdade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"has-medium-font-size\">O que antes era cemit\u00e9rio, hoje \u00e9 o Instituto de Pesquisa e Mem\u00f3ria Pretos Novos, um s\u00edtio arqueol\u00f3gico, fruto de esfor\u00e7os de preserva\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o da mem\u00f3ria negra no Rio de Janeiro, do casal Mercedes e Petruchio e diversos pesquisadores que se juntaram a eles em prol da causa. A pesquisa de Pereira ilumina um cap\u00edtulo pouco conhecido da hist\u00f3ria brasileira e contribui para a luta contra o apagamento da identidade e da cultura afro-brasileira. Em 2025, essa hist\u00f3ria ser\u00e1 levada \u00e0 Sapuca\u00ed pela Mangueira, em um desfile que promete emocionar e conscientizar o p\u00fablico sobre a import\u00e2ncia de resgatar essas mem\u00f3rias.&#8221;<\/p>\n\n\n\n<p>_____<\/p>\n\n\n\n<p><em><strong>J\u00falio C\u00e9sar Medeiros da Silva Pereira<\/strong>&nbsp;\u00e9 Doutor em Hist\u00f3ria da Ci\u00eancia e da Sa\u00fade pela Fiocruz. \u00c9 professor de Hist\u00f3ria Contempor\u00e2nea da Universidade Federal Fluminense, pesquisador do Instituto de Pesquisa e Mem\u00f3ria Pretos Novos e L\u00edder do N\u00facleo de Estudos e Pesquisa SANKOFA-UFF.<\/em><\/p>\n\n\n\n<h6 class=\"wp-block-heading\">Mat\u00e9ria extraida de: <a href=\"https:\/\/www.uff.br\/28-02-2025\/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira\/\">https:\/\/www.uff.br\/28-02-2025\/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira\/<\/a><\/h6>\n\n\n\n<h3 class=\"wp-block-heading\"><strong>Autor: Gabriel Guimar\u00e3es<\/strong><\/h3>\n","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Materia de: https:\/\/www.uff.br\/28-02-2025\/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira\/ &#8220;No Carnaval de 2025, a Esta\u00e7\u00e3o Primeira de Mangueira apresenta, na Marqu\u00eas de Sapuca\u00ed, um enredo que mergulha na hist\u00f3ria e na resist\u00eancia do povo negro no Brasil. 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