Martha Ribeiro

Artista. Doutora em Artes da cena. Professora Titular da UFF.

O confronto entre ator e personagem em Pirandello

02/08/2010 | Artigos

Capítulo: O confronto entre ator e personagem em Pirandello;
Ano: 2010;


Revista: Graphos – Revista da Pós-Graduação em Letras da Universidade Federal da Paraíba;

Resumo:

A poética de Pirandello se ancora no desejo de “desaparição” do ator, na ideia de que o intérprete deve ser capaz de se sobrepor em “transparência” ao personagem dramático. Essa concepção, embora próxima das teorias do teatro naturalista do final do século XIX, introduz uma mudança significativa em relação aos pressupostos naturalistas sobre a função do intérprete e sua relação com a personagem.

Para os naturalistas como Zola, era essencial que o personagem representasse um ser humano concreto, com comportamentos cotidianos e sentimentos reconhecíveis. A atuação deveria desaparecer por trás da personagem, desde que esta fosse realista. Pirandello, por outro lado, traz uma nova ideia de personalidade humana, fragmentada e desconexa, reflexo da crise moderna. Seu personagem é instável, contraditório, e o ator deve lidar com essa instabilidade na composição.

Em 1976, Marta Abba relembra palavras do dramaturgo sobre a efemeridade do teatro e da arte do ator. Pirandello via o teatro como arte frágil, sempre à mercê do tempo e da sociedade. Apesar disso, conseguiu ligar sua dramaturgia ao nome de Abba de forma indelével, fazendo com que sua obra continue a respirar a matéria efêmera da arte cênica. Assim, o artigo mostra como Pirandello desloca o foco da mimese naturalista para uma teatralidade inquieta, filosófica e autocrítica.

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