Disponível em Hucitec Editora.
Ano: 2022;
Autora: Martha Ribeiro;
ISBN: 978-85-8404-262-3;
Páginas: 320.
Um Realismo Sedutor transformador de nosso imaginário e de nosso mapa de afeto, emerge na mescla entre contraditórios, de uma escrita/corpo/cena entre o documental, a intimidade e o ficcional. Na promessa de um novo pacto, o pacto com a invenção, o Realismo Sedutor faz uma aliança com a vida, de insubmissão ao real. A intimidade reinventada, neste laboratório radical de subjetividades, vem seduzir o real, emancipando os corpos, e esses corpos-relâmpago trazem com eles todo mundo.
O Realismo Sedutor, metáfora-conceito desenvolvida pela autora, vem perscrutar as linhas de sustentação deste real intimidatório, propondo novos arranjos de reencantamento do mundo, para uma nanopolítica dos afetos. A sedução alegre do real faz emergir uma engenharia de forças afirmativas da vida e de combate à toda forma de conservação e de extorsão da força vital. O estado afetuoso da invenção, que faz possível novas montagens de si, no acontecimento de um encontro, na ética de um cuidado, para futuros imprevisíveis, é o que esse livro busca encontrar no Realismo Sedutor.
O leitor tem em mãos um livro que pretende investigar tema relevante para o teatro contemporâneo: os limites entre a realidade e a ficção em processos de criação autoficcionais, nos quais a ética e a potência do corpo são investigadas e valorizadas. Por meio do conceito “Realismo Sedutor”, Martha Ribeiro busca “um estado que abre a possibilidade de invenção e montagem de si” em uma prática constante de liberdade, no encontro com outros corpos e afetividades.
A autora destaca que “é no estar juntos dos corpos, nesse ajuntamento que se faz por contágio, que algo de revolucionário pode acontecer, para além dos processos de subjetivação identitários e intimidantes”.
O “corpo-teatro” vai de encontro ao hiperrealismo. É um corpo aberto à invenção de si e do outro; um “corpo-pássaro”, flutuante e dançante, como sua escritura ensaística, que nos traz a importância da fabulação, de um olhar às avessas, no deserto de tempos obscuros.— Gabriela Lírio





