Prof. Júlio César Medeiros

PROFESSOR DE HISTÓRIA

juliocesarpereira@id.uff.br

SOBRE

Júlio César Medeiros é Dr. em História da Ciência e da Saúde pela Fiocruz.  É professor de História Contemporânea com enfase em África, da Universidade Federal Fluminense, pesquisador do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos e Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisa SANKOFA-UFF.

 

Ceuta não foi descoberta: a conquista de 1415 e o início do colonialismo português na África

Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 05 ago 2026

Durante muito tempo, a conquista de Ceuta foi apresentada nos livros escolares como o ponto de partida das chamadas Grandes Navegações portuguesas. A narrativa tradicional costuma destacar a coragem dos navegadores, o espírito de aventura, os avanços náuticos e a expansão comercial europeia.

Essa forma de contar a História, porém, começa quase sempre no cais português e termina no convés das embarcações. Pouco se pergunta sobre a cidade africana que foi atacada, sobre as populações atingidas ou sobre as relações de poder inauguradas naquele momento.

Portugal não simplesmente “chegou” a Ceuta.

Em agosto de 1415, uma grande expedição militar portuguesa atravessou o Estreito de Gibraltar e tomou pela força uma cidade marroquina situada no norte da África. A historiografia considera esse acontecimento um momento fundador da expansão ultramarina portuguesa. (Universidade NOVA de Lisboa)

Contar essa história a partir de uma perspectiva africana exige utilizar palavras mais precisas: invasão, conquista, ocupação e colonialismo.

Ceuta já possuía uma história

Antes da chegada dos portugueses, Ceuta não era uma terra vazia, isolada ou à espera de ser incorporada ao mundo conhecido.

Localizada em uma posição estratégica no Estreito de Gibraltar, a cidade participava de redes políticas, culturais e comerciais que ligavam o Mediterrâneo, o norte da África, o mundo islâmico e as rotas vindas do interior do continente.

Sua importância não nasceu com a presença europeia. Ceuta já era um centro urbano africano, marcado pela circulação de pessoas, conhecimentos, mercadorias e tradições religiosas.

A conquista portuguesa não inaugurou a História da cidade. Ela interrompeu violentamente uma trajetória que já existia.

Quando a narrativa começa apenas em 1415, os africanos aparecem como parte da paisagem, enquanto Portugal ocupa o lugar de único sujeito histórico. Essa perspectiva reproduz uma das operações fundamentais da mentalidade colonial: apresentar o conquistador como agente da História e os povos conquistados como cenário de sua ação.

Uma conquista militar planejada

A ocupação de Ceuta não foi uma viagem improvisada.

A Coroa portuguesa mobilizou embarcações, combatentes, armamentos, recursos financeiros e uma complexa estrutura logística. Estudos sobre a campanha demonstram o planejamento estratégico e a dimensão militar da operação conduzida por D. João I. (Defesa Portugal)

Portugal desejava ampliar seu prestígio político, oferecer novas oportunidades à nobreza guerreira, ocupar uma posição estratégica no norte da África e aproximar-se das rotas comerciais ligadas ao ouro e a outros produtos que circulavam pelo continente.

A religião também desempenhou um papel importante. A guerra contra populações muçulmanas foi apresentada como prolongamento do combate cristão iniciado na Península Ibérica.

A cruz fornecia legitimidade espiritual à espada. A expansão da fé era mobilizada para justificar a conquista territorial, a apropriação de riquezas e a submissão de populações.

Aquilo que foi celebrado pela memória imperial portuguesa como glória militar significou, para os habitantes de Ceuta, guerra, perda de território, deslocamento e imposição de um poder estrangeiro.

Ceuta como início do colonialismo português

O colonialismo do século XV não possuía exatamente as mesmas estruturas administrativas, econômicas e ideológicas que caracterizariam a ocupação europeia da África nos séculos XIX e XX.

Essa diferença histórica, entretanto, não impede o uso do conceito de colonialismo para compreender Ceuta.

Na conquista de 1415 já estavam presentes elementos centrais da ação colonial:

  • ocupação militar de um território africano;
  • imposição de uma autoridade estrangeira;
  • tentativa de controlar rotas comerciais;
  • utilização do território conquistado em benefício da Coroa;
  • expansão religiosa vinculada ao domínio político;
  • subordinação das populações locais;
  • transformação de uma cidade africana em base da expansão europeia.

A própria expansão portuguesa no norte da África começou com uma grande expedição militar contra Ceuta. Nas décadas seguintes, o impulso português deslocou-se também para o Atlântico e para diferentes regiões da costa africana. (Cambridge)

Ceuta pode, portanto, ser entendida como um laboratório do colonialismo português.

Ali se combinavam guerra, religião, comércio e domínio territorial. Essa lógica seria posteriormente ampliada por fortalezas, feitorias, ocupações, alianças assimétricas, captura de pessoas e participação portuguesa na constituição do tráfico atlântico de africanos escravizados.

A exploração econômica e o fracasso comercial

A monarquia portuguesa esperava que a tomada da cidade permitisse o controle de importantes circuitos comerciais.

Contudo, muitas das rotas que passavam por Ceuta foram desviadas após a conquista. A ocupação também exigia o envio contínuo de soldados, armas, alimentos e recursos.

Por isso, Ceuta não produziu imediatamente os lucros esperados e chegou a representar um custo significativo para a Coroa portuguesa.

Mas o limitado resultado econômico não elimina seu caráter colonial.

Um empreendimento colonial não precisa ser imediatamente lucrativo para ser reconhecido como tal. O essencial está na intenção de ocupar, controlar e explorar um território estrangeiro em benefício da potência conquistadora.

Mesmo quando falhou como grande centro comercial português, Ceuta manteve enorme importância estratégica e simbólica. A conquista demonstrava que Portugal estava disposto a projetar seu poder militar para além da Península Ibérica.

O mito dos “Descobrimentos”

A palavra “descobrimento” não é neutra.

Ela coloca o europeu no centro da narrativa e transforma territórios habitados em espaços que passam a existir somente quando são vistos pelos olhos dos conquistadores.

Ceuta não foi descoberta. Era conhecida, habitada, governada e integrada a redes comerciais muito antes da invasão portuguesa.

A expressão “Grandes Navegações” também pode esconder aquilo que acompanhava os navios: soldados, armas, interesses comerciais, pretensões religiosas e projetos de dominação.

Reconhecer os avanços portugueses nas técnicas de navegação e cartografia não exige apagar a violência colonial. Ao contrário, uma História rigorosa deve mostrar que ciência náutica, expansão comercial e conquista militar caminharam juntas.

Os mesmos navios que ampliaram os conhecimentos geográficos europeus também ampliaram a capacidade de conquistar territórios, interferir em sociedades africanas, capturar pessoas e controlar rotas comerciais.

A expansão marítima não foi apenas uma aventura sobre os oceanos. Foi também uma expansão do poder europeu sobre outros povos.

A fabricação de uma memória imperial

Ao longo dos séculos, a conquista de Ceuta foi reinterpretada como o começo heroico de um grande império.

Pesquisas historiográficas mostram como a tomada militar de uma cidade marroquina foi progressivamente transformada em marco glorioso da expansão portuguesa. (Acervo Digital)

Essa construção da memória não é inocente.

Ao celebrar o conquistador, ela silencia os conquistados. Ao destacar a coragem militar, esconde a violência da invasão. Ao glorificar a expansão da fé, ignora o uso da religião como justificativa para o domínio político.

Uma perspectiva decolonial não pretende simplesmente inverter a narrativa e substituir heróis por vilões. Seu objetivo é deslocar o ponto de observação.

Em vez de olhar apenas para os navios que partiram de Portugal, é necessário olhar também para as sociedades africanas que foram atingidas por eles.

De Ceuta às fronteiras do presente

A História colonial de Ceuta não pertence somente ao século XV.

Após o período de união das coroas ibéricas, a cidade permaneceu ligada à Espanha e sua soberania espanhola foi posteriormente reconhecida por Portugal. A atual fronteira entre Ceuta e Marrocos foi formada ao longo de séculos de conflitos, tratados e expansões territoriais. (Revistas UCM)

Hoje, Ceuta é uma cidade espanhola situada no continente africano e uma fronteira externa da União Europeia. Sua posição geográfica transforma o território em um dos pontos mais simbólicos das tensões migratórias entre África e Europa.

A atual crise migratória deixou dezenas de mortos, sobrecarregou os centros de acolhimento e manteve centenas de menores desacompanhados em situação de grande vulnerabilidade. (Reuters)

As cercas, os postos de controle e as tecnologias de vigilância não podem ser separados da história que produziu essa fronteira.

A cerca contemporânea está erguida sobre uma divisão territorial iniciada pela conquista europeia. Ela protege um território europeu localizado na África e controla quais corpos podem atravessar do continente africano para o espaço europeu.

Por isso, a crise não começou quando milhares de pessoas chegaram à fronteira.

Ela possui raízes nas desigualdades históricas entre África e Europa, na permanência das estruturas coloniais, na exploração econômica e na concentração das oportunidades de mobilidade, segurança e prosperidade.

Chamar a História pelo nome

Ceuta foi o começo de um projeto colonial português em território africano.

Em 1415, Portugal invadiu uma cidade, ocupou seu território pela força e iniciou uma política de expansão baseada em guerra, domínio político, interesses econômicos e imposição religiosa.

Depois de Ceuta vieram novas incursões, fortalezas, feitorias, intervenções nas sociedades africanas e a ampliação do tráfico de seres humanos.

Contar esse acontecimento apenas como o início das Grandes Navegações significa repetir a memória produzida pelos conquistadores.

Uma leitura decolonial exige que a História seja observada também a partir daqueles que sofreram a conquista.

Ceuta não foi descoberta.

Foi invadida, ocupada e transformada em instrumento de um projeto de poder europeu.

A memória imperial chamou esse processo de expansão.

A História vista a partir da África precisa chamá-lo pelo nome: colonialismo.


Assista ao vídeo

O tema também foi desenvolvido em vídeo no canal História Mais:

Ceuta, 1415: o início do colonialismo português na África

Ceuta: O que é esse território espanhol na África?

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À Flor da Terra: o Cemitério dos Pretos Novos no Rio de Janeiro. Um livro sobre o silêncio, a memória e a humanidade negada

Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 07 out 2025

Por Prof. Dr. Júlio César Medeiros da Silva Pereira

Quando escrevi À Flor da Terra, eu não imaginava que aquele trabalho — nascido de uma pesquisa de mestrado, orientada pelo professor José Murilo de Carvalho, na Universidade Federal do Rio de Janeiro — se tornaria parte da memória pública da cidade. O livro nasceu de uma inquietação profunda: o que diz de nós uma sociedade que enterra seus mortos às pressas e tenta apagar seus rastros?

O Cemitério dos Pretos Novos, localizado na Gamboa, era mais que um espaço de sepultamento. Era o espelho de uma cidade que crescia sobre corpos africanos. Ali, entre o final do século XVIII e as primeiras décadas do XIX, foram lançados milhares de homens, mulheres e crianças arrancados do continente africano, vítimas do tráfico transatlântico e das violências do cativeiro.

Ao pesquisar os registros de óbitos da freguesia de Santa Rita e cruzá-los com as listas de embarcações negreiras, percebi que não estava apenas lidando com números — mas com histórias interrompidas. O livro tenta dar nome e voz a esses corpos que a história oficial silenciou. Foi esse esforço de escuta e de restituição simbólica que fez o trabalho receber o Prêmio Laurindo Marques, concedido pelo Arquivo Geral da Cidade do Rio de Janeiro, como a melhor dissertação de mestrado de 2005.

A primeira edição, publicada em 2007 pela Editora Garamond, nasceu desse reconhecimento. A segunda, de 2014, ampliou o diálogo entre arqueologia, saúde pública e memória. E a terceira edição, publicada em 2025 pela Letra Capital, revisita esse percurso à luz das discussões contemporâneas sobre racismo estrutural, necropolítica e patrimônio afro-brasileiro.

Escrevi À Flor da Terra com a convicção de que o Cemitério dos Pretos Novos não é apenas um sítio arqueológico, mas um lugar de consciência. Ele nos obriga a encarar o que preferimos esquecer: que o Brasil foi construído sobre a desumanização de corpos negros, e que a cidade do Rio de Janeiro — tão celebrada por sua beleza — ergueu-se também sobre o sofrimento de milhares de africanos anônimos.

Acredito que as pessoas devem conhecer este trabalho porque ele fala de nós. Fala da história que sustentamos com silêncio, mas também da força de quem resistiu. À Flor da Terra é, antes de tudo, uma tentativa de ouvir o que os mortos ainda têm a dizer sobre o país que somos e o que ainda podemos ser.

Revisitar esse livro é revisitar o chão que pisamos — e lembrar que, sob ele, há vidas que insistem em florescer.


Referência:
PEREIRA, Júlio César Medeiros da Silva. À Flor da Terra: O Cemitério dos Pretos Novos no Rio de Janeiro. 3. ed. Rio de Janeiro: Letra Capital, 2025.

Da academia para a avenida: pesquisa de professor da UFF vira enredo da Mangueira

Postado por MEDEIROS DA SILVA PEREIRA em 01 mar 2025

Materia de: https://www.uff.br/28-02-2025/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira/

“No Carnaval de 2025, a Estação Primeira de Mangueira apresenta, na Marquês de Sapucaí, um enredo que mergulha na história e na resistência do povo negro no Brasil. Com o título “À Flor da Terra – no Rio da Negritude entre Dores e Paixões”, a escola de samba vai contar a narrativa retratada no livro À flor da terra: o cemitério dos Pretos Novos no Rio de Janeiro, do professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense (UFF), Júlio César Medeiros da S. Pereira. A obra, fruto de uma extensa pesquisa acadêmica, aborda a memória do Cemitério dos Pretos Novos, local onde escravizados eram enterrados de forma precária, “à flor da terra”, refletindo a desumanização e o descaso da época.

O enredo, idealizado pelo carnavalesco Sidnei França, estreante no Carnaval carioca, promove uma reflexão sobre o apagamento e a invisibilidade do povo preto desde a chegada dos escravizados ao Cais do Valongo, no Rio de Janeiro. França, que acumula cinco títulos em São Paulo, optou por explorar as influências dos povos bantos na cultura brasileira, ao dar destaque à sua contribuição para a formação sociocultural do Rio de Janeiro.

A pesquisa de Pereira, que serviu de base para o enredo, revisita uma das páginas mais sombrias da história do Brasil e investiga as práticas de sepultamento dos escravizados africanos recém-chegados ao país entre 1722 e 1830. O trabalho, originalmente uma dissertação de mestrado, utiliza documentos históricos como livros de óbitos, relatos de viajantes, jornais da época e dados arqueológicos para reconstruir a história desse local de memória e dor.

O Cemitério dos Pretos Novos foi criado exclusivamente para enterrar escravizados que morriam logo após a chegada ao Brasil, antes de serem vendidos no Valongo. Funcionou inicialmente no Largo de Santa Rita, no centro do Rio, e depois foi transferido para o Valongo, região portuária da cidade, por ordem do vice-rei Marquês do Lavradio. O local, que operou de 1774 a 1830, era marcado pela desumanização: os corpos eram enterrados de forma precária, “à flor da terra”, ou seja, eram deixados ao solo sem sepultamento, ritual religioso ou qualquer respeito pelos mortos. Os que eram sepultados, eram esquecidos nus, envoltos em esteiras, em valas comuns.

A pesquisa de Medeiros destaca que o aumento do tráfico negreiro no início do século XIX levou a uma superlotação do cemitério. “Entre 1824 e 1830, mais de seis mil escravizados foram enterrados no local, mas se levarmos em conta desde a sua fundação, em 1774 até 1830, seriam mais de vinte mil sepultamentos. O fechamento do cemitério em 1830 coincidiu com o tratado de extinção do tráfico de escravos, assinado com a Inglaterra. No entanto, a prática de sepultamentos precários continuou em outros locais”. 

Ainda segundo o professor, “a localização do Cemitério dos Pretos Novos foi perdida, até que em 1996, na Rua Pedro Ernesto, 35. (Antiga rua do Cemitério), o casal Mercedes e Petrúcio, descobriram as ossadas, ao fazerem a reforma do imóvel recém-adquirido. Ali estava o cemitério de escravizados esquecidos, os quais nunca tiveram seus corpos devidamente sepultados.” 

A análise da violência cultural praticada no Cemitério dos Pretos Novos é um dos pontos-chave do livro. O professor explora como as práticas de sepultamento desrespeitavam tanto as tradições católicas quanto as crenças bantos, predominantes entre os escravizados. “Na cultura banto, os rituais fúnebres eram essenciais para garantir que os mortos se integrassem ao mundo dos ancestrais. A falta desses rituais transformava os mortos em ‘desgarrados’, espíritos que atormentariam os vivos. Para os escravizados, essa violência simbólica somava-se ao trauma da escravização e do desenraizamento.”, explica o autor. 

Imagem oficial do carnaval 2025 da Mangueira — Foto: Divulgação

O estudo também revela a relação do cemitério com a cidade do Rio de Janeiro. Com isso, a Mangueira, conhecida por seus enredos que abordam temas sociais e históricos, promete transformar a Sapucaí não só em um palco de celebração, mas também de reflexão. O desfile vai explorar as dores e paixões que permeiam a vivência da população negra no Rio de Janeiro, destacando a luta contra o apagamento histórico e a busca por reconhecimento e igualdade.

O que antes era cemitério, hoje é o Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos, um sítio arqueológico, fruto de esforços de preservação e valorização da memória negra no Rio de Janeiro, do casal Mercedes e Petruchio e diversos pesquisadores que se juntaram a eles em prol da causa. A pesquisa de Pereira ilumina um capítulo pouco conhecido da história brasileira e contribui para a luta contra o apagamento da identidade e da cultura afro-brasileira. Em 2025, essa história será levada à Sapucaí pela Mangueira, em um desfile que promete emocionar e conscientizar o público sobre a importância de resgatar essas memórias.”

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Júlio César Medeiros da Silva Pereira é Doutor em História da Ciência e da Saúde pela Fiocruz. É professor de História Contemporânea da Universidade Federal Fluminense, pesquisador do Instituto de Pesquisa e Memória Pretos Novos e Líder do Núcleo de Estudos e Pesquisa SANKOFA-UFF.

Matéria extraida de: https://www.uff.br/28-02-2025/da-academia-para-a-avenida-pesquisa-de-professor-da-uff-vira-enredo-da-mangueira/

Autor: Gabriel Guimarães

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